11 de julho de 2026
Cultura

A gastronomia e o brado do Ipiranga: “Independência ou morte!” - Mais mortes que liberdade/3ª edição

Por Redação |
| Tempo de leitura: 5 min

JUAREZ PAES

Infelizmente quase dois séculos após o famoso Grito de Independência bradado as margens do Ipiranga, o Brasil ainda carece muito da necessidade urgente d'uma segunda edição do brado de liberdade, desta vez, por parte do povo (quem sabe as margens do "Posto Ipiranga"), contra toda essa podridão que nos assola e nos mantém no cárcere privado e perpétuo da corrupção e desmandos impostos pelos três poderes que deveriam manterem-se unidos para zelarem pelo que tal ato, literalmente, representa e sua manutenção, ao invés de tirarem proveito político, agora, da Pandemia que nos assola e "enriquecer" ainda mais seu portfólio de atos contra a população que deveriam cuidar.

Enquanto isso não acontece, achei a data mais uma vez apropriada e não resisti a uma atualização, a terceira edição desta história que contei há mais de dez anos:

"Pelo meu sangue, pela minha honra e pelo meu Deus, juro fazer a independência do Brasil! A partir de agora, estão cortados os laços que nos unem a Portugal! Independência ou morte! Independência ou morte!". Assim, D. Pedro I, de forma rápida e objetiva, decretou o final "definitivo" dos vínculos que nos uniam a Portugal.

Qual teria sido à razão de tanta pressa, na hora de sacramentar o ato que nos libertaria definitivamente do jugo da corte lusitana?

a) O conteúdo da carta enviada por José Bonifácio; b) Os fortes rumores de conspiração por parte das províncias do norte; c) O orgulho ferido pelas ofensas à sua pessoa, por parte da alta burguesia da corte portuguesa; d) Uma forte diarréia, que o acometera após o jantar que antecedeu sua partida de Santos; e) Todas as anteriores estão corretas.

A resposta correta é a "e"; entretanto, a que motivou a ausência de um discurso mais longo e inflamado foi, com certeza, a afirmação da alternativa "d".

É aí que a gastronomia entra na história! Depois de muita pesquisa e investigação para tentar descobrir a origem do turbilhão de cólicas, gases e deságües via reto, além de vômitos, que por pouco não desidrataram nosso primeiro Imperador (o terceiro foi o Adriano - ex-jogador de futebol), finalmente consegui deduzir que a mistura de várias guloseimas, acepipes e preparos ricos em temperos e carnes fortes foram os responsáveis diretos pela rapidez do ato que decretou a Independência do Brasil.

O que pude apurar sobre o cardápio do jantar (elaborado por Domitila de Castro) oferecido ao até então Príncipe Regente, pela burguesia da Província de Santos foi o seguinte:

Entradas:- Sopa de barbatanas com mariscos e camarões; -Punhetinhas de bacalhau (bacalhau aferventado em lascas, com cebolas ao vinho tinto em rodelas, azeitonas portuguesas e muito azeite); -Ovas grelhadas, em cama de cebola e ovos.

Principais: -Frangos à D. João VI (frangos assados inteiros); -Brandade de bacalhau (receita de hoje); -Tripas com favas brancas (dobradinha com feijão branco); -Leitão assado (pururuca).

Sobremesas: -Brevidades em claras de neve; -Compota de jaca; -Quindim; -Creme de pitangas.

Assim como a maioria de vocês, também fui pego de surpresa com tal descoberta (na época- 2007), embora um dos meus bons mestres de História, lá no extinto "Ginásio, já houvera mencionado uma indisposição gastrointestinal do jovem monarca, afinal, o meu primeiro intuito era descobrir o que D. Pedro I comeu depois de ter proclamado a Independência do Brasil, ou seja, um suposto "Banquete da Independência", para a partir daí, desenvolver o texto daquele artigo.

Quando busquei os acontecimentos que sucederam "O Grito do Ipiranga", para chegar ao meu objetivo que era simplesmente chegar ao cardápio pós-independência do jantar oferecido pelo brigadeiro Jordão e o capitão Antônio da Silva Prado, em São Paulo, local para onde seguiu o novo Imperador do Brasil na sequência do ato, acabei surpreendido pelo fato de D. Pedro ter comido apenas duas maçãs e uma xícara de chá de hortelã, estranhamente sem apetite após uma viagem tão longa e desgastante e diante de um cardápio tão farto e diverso em maravilhosos preparos.

A partir daí uma curiosidade maior que a do gato (a de cozinheiro), disparou um sinal intermitente na minha cabeça, e foi então que resolvi retroagir na história para tentar encontrar as razões que levaram o nosso, já Imperador Paladino, a ingerir tão parca quantidade de alimento, o que me levou ao rol de preparos escolhidos pela "Marquesa de Santos", Domitila de Castro, conhecida amante do então Príncipe, relatados acima.

Não só eu, como a maioria de vocês, aprendemos no primário, ginásio, na minha época, ensino fundamental, atualmente, que tinha dado à maior "m#@" lá em Portugal e que o Super-Ministro José Bonifácio, jogou ainda mais uma boa quantidade de "B$@" no ventilador (que nem havia sido inventado), através de uma carta enviada às pressas e recebida por D. Pedro I pelas mãos de um ofegante mensageiro às margens do Ipiranga, omitindo o fato de toda aquela outra, literalmente "M&#@", tivesse sido preponderante e decisiva para a rapidez do ato da Proclamação da Independência do Brasil.

Moral da história: a Gastronomia foi à principal responsável por apressar ("colocar uma pilha") no brado do Ipiranga, "Independência ou morte! Independência ou morte!". D. Pedro ainda pensou em gritar pela terceira vez, mas, "piscou", e por isso, achou prudente não arriscar mais um.

RECEITA: PEITO DE AÇO

Você vai precisar de:

-1 kg de peito bovino em cubos;
-1 colher de cafezinho de noz-moscada;
-1 colher de sobremesa de páprica picante;
-1 colher de sopa de gengibre ralado;
-6 dentes de alho amassados;
-3 cebolas grandes cortadas em quatro partes;
-1 pimenta dedo de moça picada;
-1 xícara de cebolinha picadinha;
-2 tomates em cubinhos sem semente;
-150 ml de azeite extra-virgem;
-sal qb..

Preparo: Tempere a carne com a noz-moscada, a páprica, o gengibre, sal, metade do alho, tampe, leve para a geladeira e deixe lá por 50 minutos. Numa panela de pressão, aqueça o azeite, doure o alho, junte a cebola, o tomate e a pimenta dedo de moça, refogue, junte a carne temperada, refogue, acrescente 200 ml de água, deixe ferver, feche a panela e deixe na pressão de 30 a 40 minutos, tire a pressão, destampe a panela, verifique se a carne está macia, se não estiver de mais um tempo de pressão, quando estiver no ponto, leve de volta ao fogo baixo para reduzir e apurar por mais 15 minutos. Então, sirva com uma massa Al Dente ou com arroz branco se preferir. Com pão italiano fatiado também fica perfeito. Um bom Cabernet Sauvignon harmonizará como nenhum outro.