08 de julho de 2026
Cultura

Cronículas: Pai Covid

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

JEREMIAS ALVES PEREIRA FILHO

Domingo passado muitos comemoraram a efeméride paternal à distância, devido ao temível Covid 19. Quem dispunha de um bom celular ou de um computador simpático não teve problema em “abraçar” o querido pai por um desses aplicativos eletrônicos, que funcionam bem. Mais ou menos…Quem já não teve a amarga experiência de ligar e ninguém atender. Aí entra a misteriosa voz informando: ”telefone desligado” ou “fora do circuíto” ou qualquer coisa parecida. Então: “caixa postal cheia”. O filho resolve usar o whatsapp (o popular “zap-zap”) e tenta digitar uma bela mensagem, mas o corretor automático troca “desejo” por “desenho”, “pai” por “países”; “comemoração” por “comemos”… Quando o texto finalmente fica pronto e encaminhado, toca aguardar as duas barrinhas (não, não tem similar no meu computador…) azular denunciando a leitura, o que nem sempre ocorre, especialmente quando o destinatário desliga essa função no aplicativo (ééé…mais essa!). E se manda foto, o sorriso não corresponde ao estado de espírito e fica parecendo “fake” Se envia um “emoji”, o pai acha que é pouco caso, especialmente se erra na figura “emojada”. Isso quando não “cai a internet”, e o pai, não muito familiarizado com essas modernidades, pensa que foi de propósito. Mas, de vez em quando, tudo dá certo, devo admitir!

Fato é que para muita gente, pela primeira vez e em escala global, o chamado Dia dos Pais não aconteceu como sempre acontecia: presencial e solto de alegria e emoção. Os que puderam comemorar ao vivo ficaram contidos, temerosos por sí e pelos outros. Só aqueles cujos pais já se foram é que permaneceram isolados e, discretamente, derramaram uma lágrima saudosa em sincera homenagem. E ainda escaparam do Covid 19…

Jeremias Alves Pereira Filho
Sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados; Especialista em Direito Empresarial e Professor Emérito da UPM-Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato