A maioria dos profissionais da área da educação da região de Araçatuba é contra o retorno das aulas presenciais e a reabertura das escolas, que tiveram suas atividades encerradas por conta da atual pandemia no início da quarentena há 101 dias no Estado de São Paulo.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Nova Escola, 57,6% dos diretores de escolas públicas e privadas (do ensino infantil ao médio) acreditam que as equipes não estão preparadas para o retorno das aulas presenciais. Os motivos envolvem a falta de infraestrutura das instituições, a defasagem de aprendizado causada pelo ensino remoto, as novas medidas de prevenção e os impactos emocionais causados pela pandemia.
"Especialistas apontam que não existem quaisquer condições seguras para esse retorno e não há perspectivas de melhora dadas as muitas instabilidades e imprevisibilidades da evolução pandêmica. Ainda existe outro fator a ser considerado, as escolas não estão preparadas nem aparelhadas para isto, a estrutura física é muito precária e isso ocorre em profusão", diz Renato Gomes (45), professor do Estado de São Paulo e vice-coordenador da Subsede Araçatuba da Apeoesp.
Mesmo com a contínua agravação da pandemia no país, diversos estados estudam a reabertura das instituições, o que não tem agradado a população.
Uma pesquisa do Datafolha revela que 76% da população acha que as escolas devem permanecer fechadas.
Para Jorge Sampaio, professor de história e geografia do Estado de São Paulo, a educação básica de ensino não está preparada para amparar alunos de baixa renda, o que interfere também no acesso ao ensino remoto.
De acordo com a pesquisa 30% dos professores acham que as aulas remotas são péssimas ou ruins e 33% acha razoável. Já 44% dizem que poucos alunos estão acompanhando as aulas online.
"A gente recebe muitas reclamações dos pais que não conseguem acompanhar e têm bastante dificuldade. Como profissional eu avalio que tem sido muito ruim, é muito difícil a questão do acesso a internet e as relações individuais das estruturas familiares. Todos deveriam estar na mesma situação, com acesso a mesma estrutura e aos horários, o que não é a realidade", afirma Sampaio.
Os dados mostram essa diferença de classes. Enquanto nas instituições privadas 59% dos alunos registram participação, na rede pública de ensino o numero cai para 32%. Sampaio também destaca que a educação só é válida quando ela consegue atingir a todos, principalmente as camadas mais baixas pra conseguir transmitir informação a todos e até provocar uma evolução no país. Uma meta que para ele não tem sido alcançada.
As cidades do interior de São Paulo enfrentam uma situação pandêmica diferente da capital, em que a reação do vírus chegou de forma mais tardia.
Para Gomes, no interior a reabertura das escolas se torna mais inviável, uma vez que existem mais precariedades na estrutura das escolas do interior incapaz de lidar com a atual elevação da pandemia.
Os dados também apontam a preocupação dos professores com os impactos emocionais da pandemia e do isolamento. 28% dos professores avaliam seu atual estado emocional como péssimo ou ruim. Uma pesquisa do Instituto Península aponta que 55,2% dos profissionais da educação gostariam de receber acompanhamento psicológico.