Seu maior incentivador pela leitura foi seu pai, que escolhia livros para ela ler, ainda na infância. "Eu não tinha literatura infantil e meu pai possuía uma vasta biblioteca, então ele me dava alguns livros de José de Alencar e Machado de Assis para eu ler coisas que pudesse entender", lembra Yara Pedro de Carvalho, escritora, musicista e membro da Academia Araçatubense de Letras.
Logo depois, seu maior incentivador a presenteou com uma série de contos infantis, assim passou a ler muito mais. "Eu não sou uma devoradora de livros, sou uma leitora constante."
Nesta época, a escrita também entrou na vida de Yara, com os professores a estimulando com as redações. "A minha sempre foi um pouco diferente, porque a minha criatividade ia um pouco além. Eu também tinha muitas poesias, gostava de escrevê-las", lembra
Alunos
Yara passou a atuar como professora de matemática e português e, assim, precisava buscar livros para ler para seus alunos. "Eu lia antes para saber se o vocabulário estava adequado, selecionava sempre para passar para eles."
Um certo dia, ela resolveu escrever um livro para levar até eles, todo dia lendo um capítulo em sala de aula. "Na época, estava se falando muito sobre objetos do espaço que visitavam a terra e meu filho era hiperativo, tudo para ele virava realidade, como por exemplo, os fogos de artifícios."
Pensando em seu filho, ela escreveu "O Mistério do Objeto Luminoso", seu primeiro livro. "Era uma história que não tinha objetivo de ser livro, mas sim de ler para os meus alunos, assim fui escrevendo, todos os dias, eles me pediam a continuação, até que chegou o dia que eu falei que a história terminava em certo ponto."
A primeira obra levou à segunda, "A volta do Objeto Luminoso". "Eu sabia que eles não gostavam de ler livros longos e nem por obrigação, então falei que escreveria o segundo, eles mesmo deram o título da segunda obra", destaca. Os livros foram publicados em São Paulo, onde morava, nos anos 80. "O Mistério do Objeto Luminoso" ganhou segunda edição, no ano passado, pela Academia Araçatubense de Letras.
Obras infantis
"Vida de Boneca", título de sua terceira obra, que foi inspirada na boneca de sua filha, já está na sua 5ª edição, sendo seu livro mais vendido pelo país. "Minha filha ganhou uma boneca e andava com ela arrastando pelo chão e eu comecei a pensar se a boneca gostava daquela vida, então passei a imaginar a boneca contando a vida dela."
Após o lançamento, seus alunos ficaram bravos por conta do livro ser rosa, ela então resolveu produzir um todo azul, como explica a escritora. Assim, nasceu "Um Dia Um Anjo", inspirada no comportamento dos meninos sem a presença dos professores. "Eu imaginei que cada um tinha um anjo, porque era muita gente caindo, batendo a cabeça, mas sempre levantando e rindo mais ainda."
Ela também é autora dos títulos infantis "Mundo Marinho", "Lanche de Bandeja" e "A Casa da Vovó Bela".
A escritora conta que publicava seus livros sem ajuda de ninguém. "Com o ganho de um, eu publiquei o outro. No primeiro, penhorei todas as minhas jóias. A vida inteira assim", lembra.
Demais livros
Yara também lançou, ao longo de sua trajetória como escritora, um livro de crônicas e poesias, o "Confidências" e um conto, intitulado "Minha Máxima Culpa", inspirado em um caso real, onde uma menina e um homem mais velho se apaixonam, têm um filho, mas a personagem morre e seu filho é entregue para uma família criar. "Eu não sei de onde veio a inspiração, eu fui criando, tem um fundo de verdade, como todos os meus livros, eu sempre parto da verdade", destaca.
A professora aposentada também publica suas crônicas na coluna Soletrando, as quartas, na Folha da Região, além de incluir textos nas coletâneas 'Experimentâneas", do Grupo Experimental.
Academia Araçatubense de Letras
Yara voltou a morar em Araçatuba e começou a frequentar o Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras a convite de uma prima, em 2003. "Eu entrei e nunca mais saí. Eles descobriram que eu já tinha livros publicados. Logo, ela foi convidada a se tornar membro da Academia Araçatubense de Letras. Ela ocupa a cadeira 13, cujo patrono é o poeta Guilherme de Almeida.
Entre 2017 e 2018, ela atuou como presidente da academia, dentre seus maiores feitos, ela destaca a criação de uma nova biblioteca. "A nossa biblioteca tinha sido desmanchada e eu achava o cúmulo não ter uma dentro de uma academia de letras, porque o meu objetivo também era levar crianças e jovens para a sede. Eu remontei a parte física em dois dias, como prateleira, entre outras coisas. Depois, fizemos uma campanha para a arrecadação de livros", conta.
Em seu mandato, criou o programa "Jovem Escritor", onde jovens e crianças eram estimuladas na escrita, além do "Caminho das Letras", que foi implantado pelo atual presidente, Arnon Gomes, onde escolas visitam a sede da academia.
Significado
Segundo ela, suas obras significam uma vida. "Não tem nada ali que eu não tenha vivido, por isso que um dos meus livros se chama confidências, pois tudo é inspirado em coisas e histórias que eu vivi. Quando eu olho para trás, eu vejo muita coragem, pois sem ajuda nenhuma, eu fui fazendo. Eu não queria minha realização, mas sim dos meus alunos", finaliza.