09 de julho de 2026
Editorial

Os ventos a 110 km/h são um chamado à prevenção, diz editorial

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

É possível evitar novas tragédias na cidade com atitudes que diminuam os riscos e ofereçam maior segurança à população

Editorial publicado pela Folha da Região na edição desta quarta-feira (18):

Na última segunda-feira, Araçatuba se comoveu com a tragédia no Aeroporto Dario Guarita que provocou danos materiais com o desabamento de um hangar e tirou a vida de uma pessoa.

O Daesp (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo), mesmo ressaltando que se trata de uma área privada, anunciou que irá acompanhar a investigação sobre as causas do acidente.

É importante que a apuração seja feita com rigor técnico para que se estabeleçam as responsabilidades pelo ocorrido e, com isso, possam ser evitadas eventuais outras ocorrências desse tipo.

Se analisado do ponto de vista apenas material, e com base nos paradigmas atuais, a destruição do hangar desperta perguntas óbvias. A estrutura que ruiu com a ventania estava solidificada com materiais adequados? Teria havido falha de manutenção ou de outra espécie? Era possível algum tipo de alarme sobre o perigo momentos antes? Houve negligência humana? De quem é a responsabilidade pelo ocorrido?

Sabe-se que qualquer obra, seja um edifício, ponte ou cobertura de um terminal, ao ser projetada deve levar em conta os dados do ambiente ao redor. Um prédio pode ser levantado num terreno de solo mole, por exemplo. Para isso existem os cálculos. E assim é em relação ao clima.

A engenharia é um ofício pelo qual o conhecimento da matemática e das disciplinas naturais é empregado no planejamento e execução de um projeto de modo que sejam utilizados de forma econômica, eficiente e harmônica os materiais e as forças da Natureza.

Quando uma ponte desaba numa enchente, ou um galpão vem ao chão numa tempestade, é o caso então de se indagar se foram previstos os fatores naturais extremos para que não fossem colocados em risco a obra e a vida das pessoas.

Obviamente, tudo tem um limite, que é ditado pela lógica, o histórico e o bom senso. Se a Natureza castigar uma cidade brasileira com um terremoto de proporções nunca vistas ou imaginadas para o nosso território, possivelmente prédios terão rachaduras e poderão cair.

Mas, ao contrário, em países que se prepararam para o pior quadro, é muito mais provável que os prédios permaneçam intactos, porque lá o histórico dos dados determinou que fossem tomados os devidos cuidados. Essa é a relatividade que se adota conforme as circunstâncias.

A reportagem da Folha da Região apurou que, antes da queda do hangar, os ventos na região do Aeroporto atingiram a assustadora velocidade de 110 quilômetros por hora. 

A dor da perda de Fabiane Paiva Buchalla é incalculável aos seus familiares, amigos e todos os de seu relacionamento, bem como para a população que se abalou com o fato.

Mas é possível que gestores públicos, empresários, engenheiros, vereadores e todos os envolvidos nas atividades comunitárias façam agora, com antecedência, as contas do que poderá ocorrer na área urbana se um vento dessa magnitude atingir equipamentos ou locais públicos ou privados.

Em Bauru, na madrugada desta terça-feira (17), parte de um prédio antigo não resistiu às chuvas e ruiu. Felizmente, não havia ninguém por perto. Exemplos não faltam.

Os ventos a 110 km/h são um chamado à ação. Toda estatística só tem utilidade se puder ser associada a outros elementos e, por meio da conclusão, deflagrar atitudes que melhorem a vida das pessoas, diminuam os riscos e ofereçam maior segurança coletiva. Do contrário, continuaremos a chorar a nossa imprevisiblidade diante das evidências.