Grupos contrários à soltura do ex-presidente Lula fizeram manifestações em diversas cidades do Brasil no último sábado. Em Araçatuba, não foi diferente. De forma pacífica, mas veemente, dezenas de moradores da cidade foram pedir mais justiça e também demonstram apoio ao governo do presidente Jair Bolsonaro. No mesmo dia, um ônibus com simpatizantes de Lula saiu da cidade rumo a São Bernardo dos Campos para dar apoio ao líder petista. Esta é a beleza da democracia, que deve ser uma bandeira a unir os dois lados.
A polarização política no Brasil voltou a ficar à flor da pele nos últimos dias, mas como a economia está reagindo há ainda um viés de paz nas mobilizações. Em política, como em qualquer casa, só quando falta pão se faz revolução.
E foi o corte do pão, por meio da queda do poder de compra e extinção de direitos pessoais e coletivos, que levou milhões de pessoas às ruas em países como a Venezuela, Chile e Bolívia. Neste último, o governo Evo Morales não resistiu. O primeiro indígena a chegar ao poder no país vizinho não suportou as três semanas de protestos contra sua reeleição. E depois de perder o apoio das Forças Armadas, Morales renunciou neste domingo (10).
Brasil e os demais países da América Latina, no entanto, não estão sozinhos neste cenário de intensa mobilização social. Em Hong Kong, por exemplo, muitas universidade cancelaram as aulas nesta segunda-feira (11) devido a manifestações que levaram à interrupção parcial dos serviços de transporte público. Jovens do território responderam à convocação de protestar contra a polícia e o governo, obstruindo ruas e trilhos do metrô pela manhã.
Essa movimentação forçou as operadoras de trens e ônibus a suspender parcialmente os serviços de transporte. Também houve convocações para boicote às aulas e a organização de protestos sentados em universidades e escolas do ensino médio.
As manifestações tiveram início há cinco meses, devido à preocupação de que a China estivesse tentando aumentar a sua influência sobre a região semiautônoma. Desde então, mais de 3 mil pessoas já foram presas. Na semana passada, houve o primeiro caso de morte relacionado aos protestos, quando um estudante de 22 anos perdeu a vida após cair de um edifício-garagem durante uma operação policial.
No Iraque, a Comissão de Direitos Humanos afirma que protestos antigoverno, que já duram um mês, deixaram mais de 300 mortos. Pessoas frustradas com altos índices de desemprego e corrupção começaram a tomar as ruas no início de outubro na capital Bagdá e em cidades nas regiões central e sul do país. Pelo menos 4 pessoas morreram no sábado (9).
É de se lamentar que vidas estejam sendo perdidas por causa dos conflitos. Mas é salutar que a população, em todo o planeta, esteja mobilizada para se fazer ouvida. Não é mais possível pensar em um mundo em que os mandatários se acham acima da lei e dos direitos. Porém, o respeito à vida e à ordem democrática não são negociáveis.