Aron Lee Ralston é um alpinista e engenheiro norte americano que quanto escalava um canyon em Wayne County, Utah caiu e ficou preso por uma pedra na fenda.
Após 127 horas tentando escapar da pesada pedra que esmagava seu antebraço, decidiu amputar o membro direito com um canivete.
A história de Ralston foi contada no filme 127 horas, estrelado por James Franco é repleta emoções; a agonia de um jovem preso, sozinho no meio do nada, certo de uma morte terrível, e de sua extrema coragem e lucidez para primeiro quebrar os ossos de seu antebraço para só então cortá-lo com um canivete.
Temos que reconhecer que a capacidade de manter a clareza mental necessária para elaborar um plano de ação em condições extremamente críticas é praticamente sobre humana, porém real, e foi esta que salvou o alpinista e lhe permitiu continuar a escalar montanhas.
Não sei quais são as suas pedras, mas sei que as tem, todos temos. Quando encontramos pedras gigantes que nos prendem as mãos, quando as paredes do medo nos imobilizam e faltam saídas para encontrar a luz, seremos capazes de encontrar força, coragem e lucidez para enfrentar as dores e reconhecendo as impossibilidades, deixar para trás parte do nosso ser que não poderá ir à diante? Ralston amputando a si mesmo provou que vida não está apenas na parte perdida, mas continua pulsando do corte para trás, e mesmo que um antebraço se foi, toda a essência é preservada, viva e intacta. Seguir adiante apesar das dores e amputações necessárias que sofremos em vida é a rendição inerente à condição humana que permite a manifestação do nosso ser divino.
Quando insistimos em manter as coisas como estão, quando não aceitamos que caímos em fendas fruto de nossas paixões e dos vícios mentais que contaminaram nossas relações pessoais e profissionais, encontramo-nos na mesma situação agonizante do alpinista americano, sem saída.
Nestes decisivos momentos a verdade nos toma de assalto, para que então um lampejo de lucidez se projete em meio ao caos, ajudando-nos a compreender que render-se é também libertar-se do que faz sofrer, e sobretudo, aceitar que é preciso mudar, recomeçar, reconstruir a partir da grande dor que tem origem na própria consciência que se manifesta.
Esta é uma prova de dignidade, extirpar de si mesmo o mal que alimentou, ao cortar a própria carne.
Marcelo Prates é consultor empresarial