Uma pesquisa recente realizada pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e divulgada no Brasil pela revista Galileu na edição de agosto apontou que ler, ouvir ou ver muitas notícias ruins pode levar o público a um ciclo vicioso de tristeza e depressão.
Há quem represente isso em números: para cada 3 minutos de notícias sobre tragédias é bem possível que 27% do seu dia seja infeliz. E você já pensou: coitados dos brasileiros. Pois é.
Os pesquisadores norte-americanos observaram aproximadamente 5 mil pessoas, por vários anos. Esse público acompanhou com frequência os noticiários sobre traumas coletivos provocados por desastres naturais, como enchentes e terremotos. Nada sobre chacinas, balas perdidas ou feminicídio. E você já pensou outra vez: coitados dos brasileiros. Sim.
De acordo com idealizadores da pesquisa, faz parte da curiosidade humana acompanhar as tragédias naturais, até para aprender como estar protegido se algo parecido acontecer. E você, mais uma vez, pensou: E o que leva o brasileiro, então, a dar audiência para emissoras e programas que cheiram a sangue por crimes provocados por mãos humanas? Pois é.
O que os psicólogos americanos descobriram é que a saída para evitar o ciclo vicioso da tristeza e da depressão causadas pelas notícias ruins não está em afastar as pessoas dos veículos de comunicação, mas sim regulamentar a mídia para a promoção de coberturas jornalísticas sem sensacionalismo. Veja bem, escrevi regulamentar e não censurar, ok?
O sensacionalismo na imprensa brasileira é usado para ganhar audiência e, consequentemente, empresas anunciantes. O problema é que as reportagens de temas polêmicos são elaboradas de forma parcial para que sempre exista um “vilão” e um “mocinho”, narrativas que, geralmente, reforçam preconceitos e estereótipos.
Reforço, a solução não está na censura aos veículos de comunicação. Está na educação do povo, para que ele possa exercer seu direito de escolher a informação que desejar. Nunca a frase de Voltaire fez tanto sentido: “Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-la.”
Ayne Regina Gonçalves Salviano, professora e gestora educacional