A edição desta sexta-feira (1º) da Folha da Região trouxe, na página A7, uma discreta, mas importantíssima reportagem sobre um caso de denúncia de assédio ocorrido em uma lanchonete fast food de Araçatuba.
De acordo com o texto, o gerente deste estabelecimento teria cometido seguidos casos de conduta imprópria contra uma funcionária. Cansada das tentativas de beijo e de passadas indiscretas de mão, ela levou o caso aos superiores, que nada fizeram. Ansiosa por ver este pesadelo chegar ao fim, a vítima então procurou as autoridades policiais.
Este é, infelizmente, apenas um triste exemplo de uma realidade terrivelmente maior. O desrespeito à mulher é um mal silencioso que só emerge em casos como estes, em que uma das vítimas, cansadas de viverem sob as atitudes inconvenientes e muitas vezes ameaçadoras de homens que acham que sua libido está acima de qualquer convivência social, resolvem ir ao plantão policial.
O assédio moral e sexual no ambiente de trabalho é mais comum do que se pensa. E essas situações constrangedoras, em sua maioria, são praticadas pelos chefes diretos das vítimas ou por alguém que tenha um cargo mais alto dentro da hierarquia das empresas.
O assédio moral, caracterizado por piadas, chacotas, agressões verbais ou gritos constantes, lidera a incidência de casos. Já o assédio sexual é caracterizado por comportamentos abusivos como cantadas, propostas indecorosas ou olhares abusivos, como foi o caso registrado pela reportagem.
É importante que as mulheres passem a denunciar mais os casos a ponto de inibir a ação dos homens que ainda se acham donos das vontades das mulheres. Os importunadores precisam aprender, mesmo que seja sob o peso da lei, que o mundo mudou. O que era tolerado e até incentivado por programas de televisão, hoje já não faz mais parte da realidade.
O leitor com 40 anos ou mais há de se lembrar que os humorísticos televisivos de antigamente tratavam as mulheres como objetos acéfalos. Elas só eram vistas como seres alvos da libido masculina, usando biquinis ou vestidos provocantes. O antigo ‘Viva o Gordo’, que foi ao ar na TV Globo entre os anos de 1981 e 1987, por exemplo, sempre terminava com um strip-tease feito por uma atriz ou modelo convidada para deleite dos homens. Uma velha cultura que infelizmente ainda se perpetua em alguns programas que mantém o formato antigo e em letras de canções que muitas vezes são repetidas irrefletidamente.
E os homens também precisam entender que as velhas piadas e o simples uso de palavras de baixo calão pode constranger as mulheres no ambiente de trabalho. Eles têm que aprender também que elogios tem hora e tom corretos. E na dúvida – em 99,99% dos casos – se puder evitar, melhor.
O ambiente de trabalho deve ser sagrado para a prática do respeito. Mas, não é o único. O discernimento e a boa educação cabem em qualquer lugar. Mas, se ainda assim, prevalecer o arraigado machismo latino, as mulheres devem sim denunciar. É claro que em uma sociedade saudável, a via jurídica deve ser uma exceção, mas, ainda é um bastão a ser invocado quando o ser humano masculino se comporta como um animal movido pelos seus instintos mais primitivos.