As repartições públicas federais, estaduais e municipais não funcionaram nesta segunda (28). Fecharam em comemoração ao Dia do Funcionário Público. A data foi instituída no governo do presidente Getúlio Vargas, através da criação do Conselho Federal do Serviço Público Civil, em 1937.
De acordo com a mais recente contagem, o número total de servidores públicos do país, nas três esferas de governo, sem contar trabalhadores de empresas estatais, cresceu 83% em 20 anos, passando de 6,264 milhões, em 1995, para 11,492 milhões, em 2016, conforme o Atlas do Estado Brasileiro, plataforma na internet lançada no dia 18 deste mês pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Isso significa que cerca de 3% da população brasileira trabalha para a União, o Estado ou município. Parece muito, mas na Noruega esta porcentagem é de 30%, na Dinamarca 29,1% e na Suécia, 28,6%. Estes números são da A OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
O serviço público, por sua estabilidade, ainda é o sonho de muitos jovens em início de carreira. Eles veem nos órgãos públicos uma forma de terem um salário garantido sem correrem os riscos do desemprego, que é um fantasma em um país de economia instável como a brasileira.
O que poucos destes candidatos sabem é a realidade por trás das luzes da estabilidade. A primeira coisa a saber é que a estabilidade também é sinônimo de estagnação para 99% dos concursados. Eles ignoram que os cargos de chefia serão invariavelmente indicados pelos ministros, governadores e prefeitos. Que estes terão mais poderes e salários maiores. A realidade por dentro do serviço público também é de discriminação pela maioria dos usuários. É o popular “eu pago o seu salário”. Não raro, os funcionários precisam ainda fazer vaquinhas entre eles para comprarem insumos de trabalho, que vão de caneta a computadores.
Mesmo assim, os salários do funcionalismo público, principalmente o federal, é muito maior que o pago no serviço privado. Isso para cargos técnicos. É um dinheiro considerável que sai dos bolsos dos cidadãos para custeio dos servidores. Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apenas em 2017, os cofres públicos destinaram R$ 725 bilhões para pagamentos de servidores ativos da União, estados e municípios. A despesa com o funcionalismo passou de 9,6% do PIB, em 2006, para 10,5% do PIB, em 2017.
Nesta segunda-feira (28), a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro divulgou que estuda reduzir as carreiras do funcionalismo público a menos de dez, com a possibilidade de atuação transversal nos diferentes ministérios e departamentos federais. Hoje, há cerca de 400 diferentes categorias salariais no funcionalismo federal. O governo pretende ainda facilitar a dispensa de servidores públicos.
Que o Brasil precisa rever seus gastos com o serviço público é inegável, porém, também precisa adotar uma forma de valorizar mais estes trabalhadores. O Brasil precisa levar o servidor e o serviço público mais a sério.