09 de julho de 2026
Editorial

Opinião da Folha da Região: Brasil, Chile e a ameaça

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo Folha

Ao longo desta semana, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que os órgãos de segurança nacional estão monitorando ‘de perto’ diversos setores da sociedade, com destaque para parte minoritária dos caminhoneiros que esboçam manifestações para este último bimestre.

O temor do governo brasileiro é o de que as manifestações violentas que estão ocorrendo no Chile e a insatisfação nas ruas da Bolívia contaminem o ambiente brasileiro.

Na avaliação das autoridades, uma possível suspensão das penas de prisão depois de decisões em Segunda Instância que está sendo discutida no STF (Supremo Tribunal Federal) possa ser o estopim para uma mobilização. Principalmente se houver uma nova leitura do texto da lei e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhe as ruas.

A preocupação das autoridades faz sentido, apesar de que o clima nas ruas hoje seja de tranquilidade. Cautela, como caldo de galinha, nunca faz mal a ninguém. Principalmente para as autoridades públicas, que têm a missão de manter a ordem pública e manter o país andando pela frente.

De toda forma, tudo o que o país não precisa hoje é de uma convulsão social. Depois de anos de crise econômica, inflação e instabilidade política, o Brasil começa a experimentar alguma serenidade. As reformas estruturantes estão caminhando. A da Previdência já vai para sanção presidencial e a Tributária está sendo preparada para entrar em votação no Congresso.

Com isso, o comércio aos poucos está reagindo. A indústria já esboça algum otimismo. Nesta sexta-feira (25), por exemplo, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas publicou que o Índice Confiança do Comércio teve alta de 1,2 ponto em outubro. A Confederação Nacional da Indústria também divulgou que o índice de evolução da atividade da construção civil atingiu o maior nível desde 2013.

Fora isso, novas portas estão se abrindo. Também nesta sexta (25), os governos do Brasil e da China assinaram importantes acordos para investimentos na indústria, no setor de produção de energia e colaboração nas áreas de pesquisa e educação.

Vale lembrar que a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2018, o fluxo de comércio entre os dois países alcançou a marca histórica de US$ 98,9 bilhões. O país asiático também é um dos principais fornecedores de investimento em áreas cruciais, como infraestrutura e energia.

Além de bilhões em investimentos diretos, este acordo prevê o intercâmbio de cientistas, acadêmicos, estudantes de pós-graduação e pós-doutorandos; a promoção de pesquisa em educação e áreas relacionadas; o fomento à parceria entre universidades; o patrocínio de seminários, workshops e conferências; e a promoção de programas conjuntos de pesquisa e projetos.

Na história recente do Brasil, períodos de retomada de autoestima e otimismo, assim, são raros. Por isso, seria muito ruim, para todos, que as ondas de protestos nos países vizinhos contaminassem a sociedade brasileira. É hora do Brasil trabalhar e buscar um futuro melhor.