11 de julho de 2026
Opinião

O efeito Flávio - por Felipe Luiz de Oliveira

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Depois de Flavio Bolsonaro (PSL/RJ) correr ao STF pra suspender as investigações de desvio de salário de assessores contra ele, pelo reconhecimento da ilegalidade do compartilhamento de dados objeto de sigilo bancário entre COAF e órgãos de investigação, o Brasil começou a descarrilhar.

A partir daquela decisão do Min. Dias Toffoli: outras 130 investigações fiscais, de gente graúda (inclusive de ministros do STF) foram suspensas com a mesma decisão; o STF abriu inquérito ditatorial pra perseguir inimigos políticos, sem maior oposição; os principais bolsonaristas do governo passaram a militar contra a CPI da Lava Toga; o STF um comunista de carteirinha foi nomeado Procurador-Geral da República; a lei de abuso de autoridade passou quase incólume, com votos de Flávio para a derrubada de vetos impostos pelo Presidente e a essência do pacote anti-crime de Moro foi perdida na Câmara.

O mais ousado golpe também virá do STF, com a proibição da prisão após condenação em segunda instância, com a soltura de aproximadamente 85 mil delinquentes e, o pior de tudo, após reunião do Presidente com Dias Toffoli e Gilmar Mendes e com direito à ironia do último quando indagado sobre qual assunto se tratou: “sobre as nuvens, o tempo”.

No Twitter do Presidente apareceu uma discreta mensagem favorável à prisão em segunda instância, que logo foi apagada: essa manifestação violava os termos do acordão? Outra mensagem curiosa, da esposa de Sérgio Moro: “tenha coragem pra dizer ‘eu mereço mais’ e vá embora”. Uma mensagem pública ao marido?

Agora, o desmoronamento do PSL, no nível mais sujo e baixo que se pode conceber: traidores, gravações, cargos, ameaças e áudios vazados, que redunda na perda de força parlamentar para aprovação das reformas necessárias.

Perdemos as batalhas mais importantes na limitação do poder do STF e no combate à corrupção e impunidade. Resta saber até onde vai a governabilidade e o apoio popular. Se continuar assim, não muito longe. Pobre Brasil