Dia 10 de setembro, foi o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a data objetiva trazer maior discussão sobre o assunto e sua conscientização, para que – principalmente – mais pessoas se esclareçam sobre essa pandemia.
Falar é fundamental para o esclarecimento.
Segundo a OMS, 9 a cada 10 pessoas que cometem suicídio possuem algum transtorno psiquiátrico. A cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio, e a cada três segundos uma pessoa atenta contra a própria vida. Suicídio tem prevenção, porque está associado a psicopatologias tratáveis.
Falar não reforça a ideia de pôr fim à vida.
A prevenção é o instrumento mais seguro que temos ao nosso alcance. Às vezes, nos períodos de crise, o doente não consegue ver a saída para a situação tormentosa, ele sente como se aquela dor fosse “interminável”.
É possível prevenir o suicídio, desde que familiares e profissionais de saúde, de todos os níveis de atenção, estejam aptos a reconhecer os fatores de risco.
A idealização suicida transforma-se numa monoideia.
Na fase de sofrimento, a mente fica atordoada e o doente não tem a percepção real da sua condição. Vagam em torno do seu campo mental as mesmas ideias e o mesmo desespero. O suicida não quer morrer, ele quer acabar com seu sofrimento.
Doenças mentais são fatores de risco.
Ansiedade, depressão, alcoolismo, toxicodependência e esquizofrenia são doenças que merecem maiores pesquisas e atenção por parte de todos. O deprimido considera viver um sofrimento “inescapável”.
O tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante da prevenção do suicídio. Após o tratamento, o desejo de se matar desaparece.
A solidão, por tempo prolongado, nunca é boa companhia.
Viver sozinho parece aumentar o risco de suicídio, com taxas mais elevadas entre indivíduos divorciados ou que nunca se casaram. Viver em estado de espírito 3D (Desesperança/Desespero/Desamparo) não é saudável: cria campos mentais enfermiços e mórbidos.
Investimentos afetivos são capazes de imunizar. O suicídio acontece a todos os tipos de pessoas e encontra-se em todos os tipos de sistemas sociais e de famílias; as redes de proteção mais seguras ainda são o afeto e o vínculo seguro.
A dor vista como “intolerável” pode e deve ser acolhida por pessoas capacitadas a ajudar a atravessar o período da noite escura na alma. Quanto maiores os laços sociais em uma determinada comunidade, menores serão as taxas de mortalidade por suicídio.
Verbalizar as angústias é o primeiro passo para o tratamento. Falar com alguém sobre o assunto que lhe traz dor e ansiedade pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos desencadeiam. Quando nomeamos os estados emocionais é mais fácil buscar soluções.
Desenvolver o autoamor e a autoestima são medidas protetivas. No comportamento suicida existe uma distorção da percepção de realidade com avaliação negativa de si mesmo, do mundo e do futuro. Há um medo irracional e uma preocupação excessiva.
O passado e o presente reforçam seu sofrimento e o futuro é sombrio, sem perspectiva e com ausência de planos. Procurar ajuda especializada para desenvolver o autoamor e a autoestima é medida protetiva que colabora para mudança de paradigmas por uma vida feliz!
Padre Charles Borg é vigário-geral da Diocese de Araçatuba