Recentemente a deputada Carla Zambelli ficou no centro das atenções da mídia por conta da matrícula de seu filho no Colégio Militar de Brasília. Aproveitando-se da situação, muita gente tentou denegrir a imagem da parlamentar, classificando-a de todos os adjetivos possíveis: de mentirosa a corrupta. Quando, na verdade, nem um e nem outro era real.
Aqui vale uma análise sincera e direta sobre a situação. Segundo e-mail divulgado por Zambelli, seu filho tem sofrido pesadas ameaças de pedófilo. O bandido afirma que irá abusar da criança, sabendo inclusive que o garoto não anda com escolta e nem tinha proteção em sua escola. Citou ainda que não adiantava escondê-lo “na sua mãe”, ou seja, na avó do menino.
Pensando honestamente, qual pai ou mãe não entraria em desespero em uma situação como esta? E vale acrescentar que o medo era ainda maior porque enquanto a deputada passava a semana em Brasília, o filho ficava na capital paulista. Qual atitude tomar?
Esclarecido que não houve nenhuma infração cometida, que o garoto fez a prova e os testes necessários para entrar no colégio e que a mãe paga as mensalidades corretamente, qual seria o interesse, por exemplo, de gente em Araçatuba, pertencente a um instituto, escrever artigo sem discorrer por uma linha sequer sobre a situação que ocasionou na matrícula no colégio militar e usar do tema apenas para exaltar o nome de sua deputada, conhecida por ser amiga desse membro do instituto?
Quem ler seu texto vai ficar tentando relacionar o título com o conteúdo, e não vai encontrar nenhum sentido. Aliás, essa deputada, que sabia das ameaças sofridas pelo menino, foi ao twitter insinuar que Carla Zambelli estaria sendo corrupta. “Pai bendito, que vergonha!”, disse a que se orgulha mais que tudo por ser amiga do governador de São Paulo, aquele que se utilizou do “Bolsodória” para vencer – com muito sufoco – a eleição de 2018 e que, agora no Poder, adotou uma postura completamente avessa à de quando precisava de Bolsonaro. Ela “está com um pé em cada canoa”, disse recentemente o presidente. É, talvez ela esteja mesmo avaliando em qual canoa é melhor navegar.
Quando o interesse político se sobressai ao interesse humano, percebe-se que ideal nenhum, de comunista a libertário, é capaz de esconder o desejo único de subir no salto, pisar nos outros e alcançar cada vez mais o poder.
Leonardo Balsalobre tem 23 anos e é jornalista