Todo mundo busca um motivo para viver. A cada idade, temos que buscar algo que nos faça pertencer ao mundo. Estar em um grupo de amigos, encontrar um amor ou ser o melhor em algo. Quem cuida muito bem do entendimento deste sentir-se é a psicologia humanista, que tem um dos seus líderes o americano Abraham Maslow. Ele defendia que as necessidades de crescimento e felicidade individual não podem ser supridas sem primeiro satisfazermos a necessidade mais básica da conexão humana.
Para Maslow, sem laços de amor e carinho com os outros, argumentou, não conseguimos alcançar o nosso pleno potencial como seres humanos.
A partir desta premissa, tantos outros profissionais se debruçaram sobre o tema, até que no início da década de 1970, o psicanalista austro-americano Heinz Kohut desenvolveu um modelo chamado de “psicologia do self” propôs que o “ato de pertencer” é uma das principais necessidades do self.
Ele definiu o ato de pertencer como a sensação de ser um “humano entre seres humanos”, o que nos faz sentir uma conexão com outras pessoas. Kohut constatou que uma das principais causas dos problemas de saúde mental está ligada à falta de pertencimento ou a percepção de que estamos afastados de nossos semelhantes.
Em nosso artigo de hoje gostaria de colocar a lupa sobre apenas um ponto deste sentimento de pertencimento. Vamos falar sobre o pertencer-se ao mundo por meio da carreira profissional.
E por que isso seria tão importante? Os números dizem. Segundo reportagem da Revista Exame, atualmente, na perspectiva profissional do brasileiro, não só o desemprego, que atinge quase 14 milhões de pessoas, é uma realidade desagradável.
De acordo com a publicação, mais da metade dos trabalhadores com carteira assinada no país almeja por transição de carreira. São pessoas que em algum momento da vida se deparam com a necessidade de reverem o motivo pelo qual acordam todos os dias pelas manhã e passam horas e horas em tarefas obrigatórias em busca de dinheiro para comprar satisfações ou simplesmente sobreviver.
Este batalhão de pessoas empregadas se deparam, ou vão se deparar, com a incerteza de estarem fazendo algo relevante, ou que apenas estão reproduzindo as coisas de maneira automática.
A quem está passando por isso, é importante se perguntar sobre qual sua missão nesta vida? O que te faz se sentir em casa, ser mais eficiente e mais conectado às pessoas? Para conseguimos alcançar o nosso pleno potencial como seres humanos, temos que entender que o gato nasceu para miar, o cão para latir, o médico para salvar, o jornalista para apurar e explicar ao leitor, o mecânico para arrumar… qual a sua área?
A missão de vida é o papel que você desempenha no mundo. O norte que vai guiar a uma rotina plena, envolta em satisfação e gratidão por estar realizando algo que, realmente, faça a diferença para você e consequentemente ao mundo. Assim, fica mais conectado consigo e com os demais.
Jean Oliveira é jornalista, bacharel em Turismo e funcionário público municipal