Logo vai chover, se Deus quiser! Então as vegetações destruídas pelo crime, pela ganância ou pelo abandono, voltarão a ficar verdejantes, apagando da memória todas as cenas comoventes.
Aqui na nossa região, a Ilha Comprida em Castilho fez muita gente chorar, lastimar, xingar. Talvez pela garantia de que o tempo recupera, as empresas apontadas como responsáveis pela vigilância daquela unidade de conservação, tenham se esquivado num silêncio fúnebre.
Foi-se o tempo em que a assessoria de imprensa da CESP se importava com nossas ligações e pedidos.
Trabalhando para a mídia nacional, nossas relações com a assessoria de imprensa da CESP sempre foram muito tensas. A imprensa nacional cobrava da empresa atitudes em defesa do meio ambiente, principalmente após as inundações das barragens que só de Araçatuba a Pereira Barreto, encobriram 70 mil hectares com água, a maioria ocupada por matas nativas.
Foram vários anos de aprendizado, mas também de estratégias para sair bem na fita, como resgate de cervos do pantanal na inundação da usina do Salto de Avanhandava. Os helicópteros mataram muitos deles só no stress da correria. Era para mostrar a dedicação pela preservação do meio ambiente.
Longe dos holofotes, e para a pequena imprensa interiorana, nada a dizer. Por que tem a dar satisfações? Porque a sociedade cobra. Os cidadãos mais próximos da tragédia são os que mais carecem de saber para fiscalizar e exigir providências. Como a de criar um sistema de proteção, com a concessão de uso ou a instalação de equipes de proteção para evitar invasões e destruições.
Ilha Comprida poderia ainda ser integrada a projetos turísticos, com reprodução de animais silvestres e realização de safaris. O que não pode acontecer é a natureza recuperada ser novamente ameaçada. Pelo grau da destruição, deve levar muitos anos para que tudo seja renovado.
Antônio José do Carmo é jornalista