Mesmo sendo sábado, o Brasil para hoje por causa do feriado nacional. A data comemora a Declaração de Independência do Brasil do Império Português no dia 7 de setembro de 1822, mas que se renova ano a ano na discussão sobre o quanto o país é realmente livre.
Claro que em um mundo globalizado não é mais possível se falar em autonomia financeira. O planeta todo está ligado em uma rede de interdependência econômica que não há política de protecionismo ou ações internas que coloquem um país completamente em uma situação de autossuficiência. De alimentos básicos à alta tecnologia, todas as nações dependem umas das outras.
Isso não impede, no entanto, uma reflexão sobre o quanto o Brasil está livre de suas grandes mazelas, como a desigualdade social, a impunidade dos grandes corruptos e corruptores e a violência que nasce destes dois primeiros problemas e são potencializados por um Estado inchado, arcaico e ineficiente.
O Brasil registrou, nos seis primeiros meses deste ano, 21.289 assassinatos. É mais que a população inteira de grande parte dos municípios vizinhos de Araçatuba. Atualmente, pelo menos 12,6 milhões de brasileiros estão sem emprego.
Um terço dos brasileiros entre 19 e 24 anos não havia conseguido concluir o ensino médio em 2018. Os recortes por cor de pele e gênero revelam outros abismos: 33% das meninas negras nessa idade não têm ensino médio, enquanto o índice é de 18,8% entre as brancas. O Brasil permanece com uma marca de 11 milhões de analfabetos, mesmo com 121 mil pessoas a menos nessa estatística se comparado com o ano anterior. Se seguir nesse ritmo, caindo 0,2 ponto percentual por ano, ficará longe de outra meta: a de erradicar o analfabetismo até 2024.
E apesar do pesares, é justo e louvável que os cidadãos possam ir às ruas hoje vestindo o verde e o amarelo. É importante que cidades como Araçatuba tenham seis desfiles cívicos, com a presença das autoridades. Tudo isso ajuda a reforçar o sentimento de nacionalidade que só se vê, fora deste feriado, em dias de jogo de Copa do Mundo de futebol. E esta união é importante para mostrar que o Brasil resiste, pulsa e anda para frente.
A Folha da Região sempre defendeu que seus leitores reflitam sobre a cidade, o Estado e o país que cada um constrói com seus atos. E faz isso porque sua equipe de jornalismo abre as portas da redação, todos os dias, com a ânsia de ajudar nesta edificação.
Com reportagens independentes, com análises diversas e com a coragem de tocar nas feridas da nossa cidade e região, o jornal tenta fazer sua parte. E este processo se faz cada vez mais com a colaboração do leitor, que pelas redes sociais e por contato direto com o jornal não aceitam mais o papel passivo.
Somente com o trabalho intenso de cada cidadão, no cotidiano, que a história de independência do longínquo 1822 continuará sendo escrita. Nesta semana, o jornal noticiou novas operações da Polícia Federal, que tem sido um grande fomentador de esperanças de que dias melhores virão.
Os índices recentes mostram que a economia nacional tem reagido de forma positiva, apesar de lentamente. O caminho é longo, mas a cada um cabe erguer sua cabeça e continuar.