Houve uma época em que os jornais, por ética e orientação de especialistas, não noticiavam casos de suicídio. O entendimento era que quando se dava publicidade a estes atos extremos, outras pessoas se sentiriam impelidas a repeti-las. Ação que seria mais propensa em quem poderia tirar a própria vida para chamar a atenção da pessoa amada.
Com as mudanças nas plataformas de propagação de notícias, muitas empresas ou iniciativas aventureiras de jornalismo rasgaram a antiga ética pela busca desenfreada pelo clique. Qualquer miséria humana foi transformada em espetáculo pela audiência.
A Folha da Região se mantém no antigo grupo. Para o jornal, os casos individuais de suicídio não são noticiáveis. Mas isso não tira deste matutino a coragem para falar do próprio suicídio, que tem se tornado cada vez mais comum, principalmente entre os jovens.
E o assunto entra em pauta com a chegada do mês de setembro, onde governos e instituições se unirão, por 30 dias, para fazer campanhas de esclarecimento. Durante o chamado “Setembro Amarelo”, vária iniciativas, em Araçatuba, como em todo país, profissionais e voluntários trabalharão conscientização sobre a importância da prevenção do suicídio para enfatizar a necessidade de atenção especial com o bem-estar e a saúde mental de crianças e adolescentes.
De acordo com números disponibilizados pelo Ministério da Saúde, mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e transtornos do humor. A depressão é o diagnóstico mais frequente, aparecendo em 36% das vítimas.
O aumento dos casos entre os mais novos e com prevalência entre os homens faz da depressão a quarta maior causa de suicídio entre jovens no país. Outras doenças que podem ser tratadas, como o alcoolismo, a esquizofrenia e transtornos de personalidade, também afetam esses pacientes e por isso afirma-se que o suicídio pode ser evitado na maioria das vezes.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o Brasil é o país com maior percentual de depressão na América Latina, chegando a 5,8% da população, o que corresponde a 12 milhões de brasileiros. A taxa é maior do que o valor global, que é de 4,4%. Igualmente maior do que em outros países, a taxa de suicídio entre adolescentes de 10 a 19 anos aumentou 24% de 2006 a 2015. A cada 46 minutos alguém tira a própria vida no Brasil.
E para que este quadro seja revertido, a informação é mais que necessária. É importante que adultos e jovens passem a entender quais são as nuances este tristeza e depressão. Com isso, desenvolver a empatia e ter os ouvidos e olhos treinados para entender quando se está diante de alguém que potencialmente pode tirar a própria vida.
Sentir tristeza é normal e que a frustração sempre traz alguma tristeza passageira, mas é preciso que as pessoas próximas fiquem atentas para perceber quando esse estado já se tornou uma depressão. A tristeza é algo que gera introspecção, provoca reflexão e crescimento, mas o deprimido fica introspectivo por vários dias e semanas.
Um dos parâmetros é quando há sofrimento excessivo afeta as relações interpessoais, produtividade no trabalho, ou sofrimento individual, ou seja, a pessoa está sofrendo mais do que precisaria naquela situação. Não é que não pode ter tristeza e emoção, mas isso não pode prejudicar a pessoa a ponto de afetá-la fisicamente.
A melhor forma de falar sobre a depressão, destacam os especialistas, é deixar claro que ela é uma doença que apresenta alterações biológicas e fisiológicas, envolvendo fatores genéticos e estruturais, o que significa que a pessoa nasce com a tendência de desenvolver o quadro depressivo.
A Folha da Região quer contribuir com as instituições durante o Setembro Amarelo. E para isso trará sempre informações neste espaço e em reportagens especiais. Informar é preciso e salva vidas.