Outro dia, vasculhando papéis velhos num arquivo não digital, deparei(ôpa!)-me com um singelo editorial escrito por mim mesmo para o Jornal da Tarde, numa edição de mais de 10 anos atrás (JT/Estado, 08.02.2009). O assunto, já naquela época, não era novo, porque o sistema de semáforos da capital deixava muito a desejar. Se eu reproduzisse por inteiro aquele artigo talvez ninguém se daria conta dessa longevidade, devido ao fato de ainda ser atualíssimo. Num determinado trecho dizia eu que, no sistema de semáforos inteligentes, “os faróis deveriam ir abrindo a cada cruzamento importante, paulatina e sucessivamente, permitindo o fluxo constante de veículos”, o que, com absoluta convicção, afirmei que “evitaria o estrangulamento do tráfego de veículos”(sic). Como consequência óbvia as vantagens seriam muitas, desde a economia de combustível; de tempo perdido no transporte; redução da poluição; segurança geral, etc.. Nem precisaria informar, em respeito à inteligência – essa sim! - dos meus parcos leitores, que o Estado pouparia recursos financeiros tão necessários para outras medidas relevantes em favor da sofrida população.
Por incrível que pareça, o dinheiro arrecadado nesses 10 anos foi para…o ralo! Só pode ter ido mesmo, por mais que a administração pública queira negar, até porque, caso tivesse sido razoavelmente aplicado ao fim de cada projeto, o problema estaria resolvido. Nem considero a execrável hipótese de “desvio de verba” pois esse tema já virou “carne de vaca”, usando uma expressão idiomática do tempo em que, na minha terrinha natal, esse produto era secundário e barato, portanto, fácil. Bem provável que os recursos, que deveriam ter sido destinados à melhoria dos equipamentos de controle de trânsito, tenham entrado no “caixa geral” do tesouro municipal e simplesmente virado poeira na vala comum das chamadas despesas administrativas, entre elas o tal “contingenciamento extraordinário”. Nem me perguntem o que vem a ser isso…
O fato é que o trânsito em São Paulo está caótico e, se não contratar logo o “síndico”, não vai resolver. Tim Maia, se vivo estivesse, daria sonoras e racionais gargalhadas!
Jeremias Alves Pereira Filho é Sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados; Especialista em Direito Empresarial e Professor Emérito da UPM-Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato