Orar é prática universal! Todas as religiões, desde as mais primitivas, entendem a pratica da oração como expressão fundamental do sentimento religioso. Emerge a necessidade de definir com clareza conceitos e práticas relacionados à oração. No conceito tradicional, o hábito de orar está ligado a fazer pedidos, expor necessidades, buscar ajuda. Nesta dimensão, costuma-se deparar com o hábito de fazer promessas, como se a oração fosse uma espécie de barganha com o Soberano! Uma vez atendido, retribui-se com tal oferta ou específico sacrifício. Embora não se possa negar fundamentação espiritual nessas práticas, fica, porém, evidente que seu objetivo primário seja condicionar o sobrenatural à pontuais necessidades. Nesta dimensão a prece fica excessivamente subjetiva e imediatista. Contingente, portanto, e parcial.
Bem diversa é a teologia da oração, particularmente na religião cristã. Inspira-se a instrução sobre a oração na escola de Jesus Cristo. Os evangelhos registram que o Homem de Nazaré frequentemente se recolhia para orar. Se ele, portanto, sentia a necessidade de orar, o recurso à oração deve ser entendido como exercício essencial na jornada espiritual. É com Jesus, portanto, que se deve aprender a orar. Ao ser solicitado a ensinar como orar, Jesus orientou a invocar o Criador como Pai. Na sua língua materna, Jesus recomendava usar o termo ‘papai’, a forma tenra dos pequenos chamarem por seus papais. Ao destacar esta formulação, Cristo, na realidade, estabelecia o clima a envolver o ato de orar, o de extrema ternura e confiança entre o lado humano e o lado divino. Ao se dispor a orar, a criatura reafirma a profunda comunhão com o divino, um relacionamento alimentado num mútuo amor e fundamentado em reciproca entrega. Orar é essencialmente questão de atitude de coração. De reverência interior. Ao atender à solicitação de ensinar como orar, Jesus apontou o básico requisito para se rezar proveitosamente: a comunhão respeitosa e confiante com o Criador. Consequência natural dessa fundamental atitude reverente é entender e viver a oração como um colocar-se confiante à disposição do divino, longe do conceito de buscar induzir a Deus a fazer a vontade do suplicante. Ora-se com reverência quando se dispõe a cumprir o desígnio divino. Não a minha, mas a sua vontade seja feita, costumava rezar Jesus!
Saudável hábito os pais ensinarem os filhos a orar. Alunos aplicados na escola de oração de Jesus, pais, padres/pastores (e catequistas) devem, antes de ensinar rezas ou fórmulas, orientar os pequenos a conectar-se com o Papai do céu, profunda e amavelmente envolvido com a humana existência, não tanto para que ele realize o que dele se solicita, mas, sim, para que se aprenda a realizar a sua vontade. Afinal, devotamente conectado com o Papai do céu, o sujeito que assim reza sabe que encontrará o preciso caminho para a realização plena!
Padre Charles Borg é vigário-geral da Diocese de Araçatuba