Batida da Polícia Federal na Prefeitura; algumas pessoas do meio político e “servidores” públicos presos; um pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara e, na última segunda-feira, a aprovação de pedido de instalação da comissão.
Com os fatos, vieram as versões. De um lado, os passadores de pano confundindo responsabilidade criminal e responsabilidade política na tentativa de deslegitimar a instalação da CPI; de outro, os incendiários, fazendo juízos criminais antecipadamente.
Nesses termos, um debate absolutamente irrelevante. Hora de pôr a bola no chão.
Os cidadãos nada têm a ver com inquérito criminal: isso é problema de quem está dentro dele. O que realmente nos interessa – e é objeto da CPI – é a responsabilidade política, que se manifesta na seguinte proposição: havia uma organização criminosa operando dentro da Prefeitura. Quem é politicamente responsável por isso?
Claro que os responsáveis políticos são os Chefes da Administração. O problema é que a suposta ignorância desses fatos se torna uma espécie de álibi: “eu não sabia”. Esse discurso se repete. Caímos sempre no dilema tipicamente brasileiro da conivência ou da inépcia. Se sabia, é conivente. Se não sabia, é inepto.
Em quaisquer dos casos, deveríamos mandá-los embora. Se esses fatos ocorressem numa empresa privada, os gerentes estariam na fila do seguro-desemprego na manhã seguinte. Por que políticos devem ter a prerrogativa da inépcia e não serem submetidos à lógica da eficiência administrativa na esfera pública?
Estamos habituados à irresponsabilidade dos políticos. O melhor remédio seria adotarmos o modelo de administração local gerencial (council manager) que existe em alguns locais dos EUA, designando gestores qualificados para administrar a cidade de modo técnico, não político. Uma pena que a Constituição nos condenou a esse sistema municipalista, que dá muito poder a pessoas que não deveriam ter poder algum. Mas, fica a ideia…
Felipe Luiz de Oliveira é membro do ilan