O termo “Síndrome do Impostor” foi usado pela primeira vez no final da década de 70 pela psicóloga Dra. Puline Clance. Ela se caracteriza por um grande sentimento de inadequação, de não pertencimento, de que por mais que se trabalhe duro, nunca é o suficiente. A pessoa tende a acreditar que todo seu sucesso se deve à sorte, ou porque foi ajudada, mas nunca por mérito próprio. E vive sentimentos destrutivos de baixa autoestima, complexo de inferioridade, perfeccionismo, ansiedade e apreensão. Porque um dia ela será desmascarada e perceberão que não passa de uma fraude.
Pesquisa recente aponta que cerca de 70% dos profissionais de alta performance sofrem ou já sofreram dessa síndrome uma vez na vida. Então, se você é bem sucedido naquilo que faz, talvez já tenha sentido seus efeitos. Algumas pesquisas apontam maior incidência entre as mulheres, mas outras apontam que ocorre igualmente em ambos os sexos. O que muda provavelmente é o hábito cultural onde é mais permitido às mulheres expor seus medos e sentimentos. Aos homens não. Embora entre os profissionais de alta performance as mulheres geralmente adotem o mesmo hábito masculino. A síndrome também tem alta incidência no ambiente acadêmico: alunos de pós graduação são amplamente afetados por ela.
A lista de celebridades que admitem sofrer seus efeitos aumenta a cada dia. A ex-primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, fez um discurso recentemente sobre os efeitos da síndrome ao longo da sua vida. Assim como as atrizes Emma Watson, Kate Winslet e Natalie Portman. Ser minoria, ou seja, ser diferente de seus colegas em questão de raça, gênero, orientação sexual, nível social ou alguma outra característica pode alimentar a sensação de fraude. Por isso, a mulher inserida em um ambiente de trabalho dominado por homens pode estar mais propensa à síndrome.
Portanto, para os que talvez se identifiquem com os sinais aqui descritos, admitir esse sentimento de fraude pode ser o primeiro passo para buscar ajuda e então creditar todo seu sucesso ao seu esforço, à sua dedicação e ao seu talento, e não ao acaso.
Ana Laura de Almeida é cirurgião dentista