A drástica redução no número de acidentes fatais no trânsito de Araçatuba é um fato a ser comemorado. Em aproximadamente cinco anos, reduziu-se de 42 mortes em 2015 para 26 em 2018, tendo chegado a 19 em 2017. O ano de 2019 registra 14 vítimas fatais até o último levantamento divulgado pelo Infosiga, responsável por compilar estes dados.
Campanhas educativas, melhorias nas vias, tanto em termos de infraestrutura quanto em sinalização, engenharia de trânsito mais eficiente, dentre outros, são fatores que contribuem para que estes números caiam. O trabalho realizado nas escolas, com as campanhas que conscientizam as crianças sobre a importância da segurança no trânsito e ensina as regras básicas, faz com que estas cobrem de seus familiares atitudes honestas no trânsito. É pelo exemplo a melhor maneira de ensinar e as crianças são prova disso.
Quando na saída da escola se estaciona em fila dupla ou no meio da rua para que seu filho desça do carro, esse pai está ensinando, além da violação às leis de trânsito, que ele pode tudo, ainda que esteja infringindo leis e atrapalhando a vida de todos os outros usuários do trânsito. Um péssimo exemplo.
Enquanto o poder público luta para incutir nas pessoas que o trânsito seguro é um dever de todos, os números mostram que vem surtindo efeito o esforço realizado. Mas também trazem à tona que a justificativa do poder público para a implantação de radares em áreas críticas, de que os acidentes aumentaram quando as ruas passaram por recape, pode não proceder.
Se os números mostram que as mortes diminuíram, qual seria o intuito da colocação dos radares? Sabe-se que, para os motoristas imprudentes, os equipamentos acabam por impor, de certa maneira, uma ordem, emitindo um sinal de “alerta”, fazendo com que haja mais prudência e respeito às leis de trânsito. Por outro lado, se os efeitos das campanhas educativas, da melhor sinalização das vias, das melhorias em termos de iluminação e eliminação de buracos, estão sendo suficientes para demonstrar aos cidadãos que o trânsito pode ser mais seguro com gestos gentis e responsabilidade, seria melhor investir o dinheiro a ser utilizado nestes equipamentos neste tipo de melhoria que vem sendo feita.
Mais do que multar, é preciso conscientizar. O trânsito exige atenção plena e, atualmente, um dos maiores vilões é, justamente o celular com suas redes sociais e aplicativos de trocas de mensagens. Usar a tecnologia para o bem é um fator muito importante a ser considerado. Assim, conscientizar sobre o uso de outros aparelhos eletrônicos ao volante é um dos caminhos a ser seguido.
Os pedestres, por sua vez, também têm que deixar o aparelho de lado e prestar atenção ao que acontece ao redor. A atitude de estar distraído, andando, olhando para o aparelho ou com fones de ouvidos e música ligada somente aumenta as chances de assaltos, roubos, furtos e acidentes, já que, entretidos pelas funcionalidades que se tem em mãos, é mais difícil manter o foco no ambiente. Em 2018, o celular já era considerado a terceira maior causa de mortes no trânsito, causando cerca de 1,3 milhão de acidentes por ano. No mundo, os celulares respondem como a quarta maior causa de acidentes no trânsito, o que coloca o Brasil à frente nas estatísticas, mesmo que haja ilegalidade no uso do aparelho ao volante. Assim, o desrespeito crescente às leis de trânsito é algo a ser combatido e isso só acontece com conscientização, já que, por mais que haja multas, não é possível que a fiscalização ocorra durante todo o tempo em que o indivíduo está ao volante.