O pedido de instalação de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), votado na sessão de segunda à noite na Câmara, dá um novo fôlego às investigações da operação #TudoNosso, onde foram presas, temporariamente, 15 pessoas, sendo que cinco tiveram a prisão preventiva decretada. Dentro os nomes citados nos autos do inquérito da PF (Polícia Federal), até mesmo o prefeito de Araçatuba, Dilador Borges (PSDB), a vice-prefeita, Edna Flor (PPS) e o vereador Rivael Papinha (PSB), dentre outros funcionários da prefeitura, das OSs envolvidas e das empresas em nome de “laranjas” que supostamente seriam utilizadas para fraudar o esquema.
A instalação da CPI na Câmara, que ainda tem prazo para entrar em funcionamento e começar as investigações, é um importante passo e não poderia deixar de acontecer sob pena de tornar todo o legislativo conivente com a situação. Investigar e fiscalizar são funções precípuas dos vereadores. Enquanto isso, no paço municipal, a vida parece seguir como antes.
Segundo o prefeito, “não há o que temer” e “a verdade está aparecendo”. A verdade é que ainda tem muita água para passar embaixo da ponte antes de qualquer conclusão, até porque, todos os citados no inquérito, continuam sendo “investigados”, de uma maneira ou de outra e, os que estariam mais envolvidos, estão presos preventivamente para que se evitar o sumiço ou manipulação de provas.
Desvios, enriquecimento ilícito, fraudes, seja quais forem os crimes que possam ter sido cometidos, a PF não irá descansar enquanto não esclarecer o funcionamento de todo o esquema e todas as pessoas envolvidas.
Enquanto nas redes sociais existem pessoas querendo ver o circo pegar fogo e lançando ilações sobre este ou aquele possível envolvido, esta Folha vem cumprindo com o seu papel de informar os fatos à comunidade. Contra fatos, não há argumentos. Já contra argumentos, é preciso provas. Não cabe à imprensa condenar, este é um dos primeiros princípios do jornalismo e dos manuais de redação. Mesmo que alguém seja preso em flagrante delito, até que haja sentença transitada em julgado, este será o “suposto autor”, “suposto envolvido”, que cometeram as “supostas fraudes” ou o “suposto fato”. Assim trabalha o jornalismo sério, sem se omitir, mas sem condenar, pois cada um deve desempenhar o seu papel no convívio social e o papel de condenar é da justiça, enquanto que à imprensa cabe informar, sem opinar.
Na esteira de uma grave crise econômica que pode estar se aproximando, Araçatuba vive a expectativa de que, caso confirmados os fatos, as perdas possam ser contabilizadas e restituídas aos cofres públicos, da mesma forma que está acontecendo com o episódio da merenda, também desmantelado pela PF no ano passado e que vem junto às devoluções bilionárias que estão acontecendo no âmbito da Operação Lava Jato.
Antes, a impunidade no Brasil era algo gritante. Tanto que, num passado não muito distante, a própria população se referia à Paulo Maluf (PP) como o político que “rouba, mas faz”, em alusão às grandes obras executadas em seu governo na cidade de São Paulo, por exemplo, ainda que superfaturadas. Hoje, com o contribuinte supurado por impostos e sem conseguir produzir para a própria subsistência, não se pode mais admitir políticos que roubam, ou fazem vista grossa. É preciso eleger pessoas honestas, de preferência que não sejam políticos de carreira. Deve-se fazer uma limpeza geral, mudanças profundas para que a máquina pública deixe de ser usada em benefício de poucos e seja movimentada tão somente para o bem do povo e da livre iniciativa de mercado. Todos os citados devem ser investigados e ter seus direitos ao contraditória e à ampla defesa respeitados. Ao povo, cabe o papel de acompanhar e cobrar.