Umas cinco décadas, passadas.
Vejam um conto interessante de seu Valter e sua bicicleta.
Quando recebeu um bom dinheiro do tempo de trabalho quando a firma fechou, ele foi despedido. E foi trabalhar de boia fria para tratar da família. Que não era pouca, tinha cinco filhos e quando não vinha o caminhão que catava os boias frias ou ele perdia a hora, pegava sua enxada e facão e saia a procura de uns bicos, para garantir a boia do dia seguinte, fazia tudo no "pé dois", que quer dizer a pé.
E lá um dia tomou uma atitude dizendo pra ele mesmo:
- A mulher vai ter que encolher a comida da semana, porque eu Valter, vou pegar o dinheiro desta semana e comprar uma linda bicicleta amarela cor de gema de ovo e vai chamar a loirinha, pôs em pratica seu desejo.
Mas como sempre tomava todas, achando que ia acabar a esquenta peito, isso era depois do serviço.
E chegava tarde, com a boca amarga, os dedos esfolados, o chinelo quebrado dizendo que não estava com fome, e com sua loirinha. Mas ele andava mais empurrando a bicicleta do que montado e conversava com a loirinha:
- Pois, minha garota tu já estás cansadas, tão novinha e não aguentas me carregar? Vive me derrubando, é porque a rua está estreita ou você não está enxergando. Falava ele: _ Eu vou me sentar um pouco na rua até tu descansares, podes me carregares até em casa. Mas nada disso adiantava, depois de um cochilo resolvia ir embora com a bicicleta nas costas.
E falando para ela:- Hoje eu, Valter, a carrego, mas amanhã Tu me levas, estamos conversados loirinha?
Seu Valter era um homem muito trabalhador e honesto só era ruim para ele próprio, e à família.
Mas quem ganhava com isso era a bicicleta porque ninguém podia pegar nela só seu Valter.
E assim aconteceu com a loirinha, seu transporte.
E falou para a loirinha:
- Tu deves estar com lombriga ou amarelão, mas eu vou conversar com o Doutor da farmácia, para me vender um remédio para tu escutastes bichinha?
Maria José da Silva Membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras