É de dar pena de um país que a maioria formada por negros e mulheres, e que vive na pobreza, seja governada por um Presidente preconceituoso e homofóbico e que ainda privilegia a elite dos patrões.
A cada semana que se passa, fora as imbecilidades e falas preconceituosas que depõem contra a imagem do Brasil perante o mundo, nos deparamos com alguma medida que venha a retirar ou precarizar os direitos da classe trabalhadora.
Uma reforma trabalhista que permite que o trabalhador venha a ser contratado por período, possa ter que trabalhar terceirizado, que tenha de abrir CNPJ para prestar serviços, que tenha de alterar as regras de sua aposentadoria - enquanto os políticos, judiciário, militares de alta patente, mantêm suas regalias - agora, ainda passam a ter menos tempo de lazer com a família com as novas regras de trabalho aos domingos e feriados.
Com tudo isso acontecendo, o que me deixa indignado é a passividade da população frente a este cenário catastrófico que está sendo formado, em meio a denúncias de ligação do governo com milicianos, perseguições a sindicatos, entidades e movimentos sociais, partidos de esquerda e suas lideranças, com o objetivo claro de desmantelar qualquer tipo de organização de resistência que possa se organizar minimamente em oposição aos desmandos de um governo que disse a que veio, inclusive não iludiu nenhum de seus eleitores, que agora parecem ser figuras sumidas das redes sociais, que tanto o defendiam.
Aliás, estou acompanhando a convocação da direita pra uma manifestação em defesa da Operação Lava Jato para o dia 25. Nada a ver com a defesa dos interesses sociais e da classe trabalhadora, mas simplesmente para defender uma Operação tendenciosa e direcionada única e exclusivamente para manipular as eleições de 2018 e colocar no poder a extrema direita fascista.
E pensar que neste dia muitos(as) trabalhadores(as) irão às ruas defender pessoas que pregavam o combate à corrupção e, pelo visto, protegiam os corruptos, se corrompiam e aproveitavam da bandeira para seus interesses.
Fernando Zar é sindicalista