Todos os dias, a ciência e o conhecimento se multiplicam como jamais vimos. O que antes era ficção, hoje é mais do que realidade. Lembro-me de quando criança assistir ao Batman conversando com o bat-computador e hoje conversamos com aplicativos de celular que, pasmem, nos respondem respostas objetivas. Vídeo conferência, antes só vista nos filmes, agora é uma realidade cotidiana na palma da mão, em nossos smartphones. Mas existe um outro lado desta era tecnológica que vivemos. A mesma tecnologia que facilita a vida e aproxima pessoas, também pode afastar e romper com convenções sociais. As redes sociais que aproximam pessoas afastadas fisicamente, também as distanciam dentro do mesmo lar. No trabalho, no restaurante, nas ruas, na escola, no ponto de ônibus, às vezes não somos gentis nem com nossos familiares, que dividem conosco o mesmo lar. Estamos vivendo um retrocesso civilizatório? Um retrocesso que começa com o abandono de hábitos que parecem banais, como desejar um bom dia, dizer um obrigado, pedir por favor, e está se dirigindo para um mundo egoísta, onde somente o EU importa, ignorando-se a importância do próximo. Nesta sociedade de império do EU, retrocede-se à lei do mais forte em detrimento do estado de direito governado pela lei. Esse pensamento personalíssimo, de que somente o meu direito importa justifica a feitura da justiça com as próprias mãos, também conhecida por vingança. Esse tipo de pensamento retrogrado, pouco civilizatório talvez explique ações como o assassinato pela disputa de um assento no cinema ou o assassinato de toda uma família por não concordar com o namoro da filha ou atear fogo numa concessionária de veículo por ter se sentido mal atendido por um de seus funcionários. Diante de situações tão bárbaras, precisamos nos perguntar se é essa sociedade que queremos deixar para nossos filhos e netos. E se a resposta for negativa, precisamos repensar nossas ações para com o nosso próximo desde hoje, como um valor a ser praticado diariamente e repassado às futuras gerações.
Evandro Silva é advogado