“Você não pode ter simultaneamente livre imigração e estado de bem estar social.” M. Friedman
O exemplo é um idioma que todas as pessoas ou nações podem compreender.
Aqui, na Ilha Malta, há um que o Brasil deveria prestar atenção, principalmente na semana da votação da reforma da previdência.
O Brasil precisa avançar rápido, pois não podemos continuar gastando um tempo que não temos em razão de evitarmos enfrentar as consequências da realidade.
Malta implantou o Malta Individual Investor Program (MIIP), um programa de Cidadania Econômica considerado um dos maiores programas de sucesso de cidadania.
É um programa explicitamente projetado para atrair investimentos criadores de empregos para a economia maltesa.
Imagine que hoje o passaporte maltes possibilita acesso a mais de 180 destinos ao redor do mundo sem a necessidade de visto, como os EUA, Australia, Emirados Árabes, Japão, Hong Kong e todos os países da Europa.
Resultado: no primeiro semestre de 2018 os preços de imóveis em Malta subiram mais do que qualquer outro país no mundo.
O Brasil precisa, urgentemente, entender que a riqueza não se traduz apenas pela presença de recursos naturais, mas acima de tudo pela quantidade de capital disponível e da convicção de que cada investidor poderá desfrutar dos frutos do seu trabalho sem ser molestado.
É isto que Malta está fazendo, competindo agressivamente para atrair imigrantes altamente qualificados e que criam empregos.
Trabalhadores altamente qualificados desempenham um papel central e protagonista na economia do conhecimento atual. Pessoas talentosas fazem contribuições diretas excepcionais - incluindo inovações revolucionárias e descobertas científicas - e coordenam e orientam as ações de muitos outros, impulsionando a fronteira do conhecimento e estimulando o crescimento econômico.
Em tempos onde as barreiras brasileiras ao empreendedorismo ainda persistem, uma coisa é certa: nunca subestime alguém capaz de atravessar o mundo em busca de uma vida melhor.
Estes imigrantes podem surpreender.
Não apenas no campo econômico, mas até mesmo no político.
Que o digam vários ex-ministros da Agricultura, como Paulinelli, Maggi, Turra, Stephanes, Guazzelli, Dalpasquale…
É o que Malta está ensinando ao mundo.
Antonio Cabrera Mano Filho é ex-ministro da Agricultura