O Ministério Público de São Paulo (MPSP) lançou no mês passado a cartilha "Namoro legal", que tem como objetivo conscientizar jovens sobre relacionamentos abusivos. Escrito pela promotora de Justiça do MPSP Valéria Scarance, o manual contém dicas sobre os relacionamentos conturbados e atinge em maioria o público feminino que tem enfrentado cada vez mais a violência doméstica. Segundo o texto, essa violência tem ficado ainda mais evidente entre os jovens.
A cartilha reúne sete dicas importantes para perceber quando o namoro ou qualquer tipo de relacionamento amoroso está ficando tóxico. Confiar nas atitudes e não nas palavras é a primeira dica, que explica que muitas vezes o homem pode dizer o que sente, mas não age como tal. A questão da liberdade e privacidade também é abordada. A mulher precisa compreender que tem um espaço que é somente dela.
No último dia 3, uma estudante de 14 anos se envolveu em uma briga com o namorado, de 16 anos, por causa de ciúmes, em Araçatuba. Ela e a mãe estiveram na delegacia para registrar o caso e contaram que, durante a tarde, a jovem estava na casa do garoto e ambos começaram a discutir. Os dois entraram em luta corporal e a mãe da estudante foi chamada na residência. No boletim de ocorrência consta ainda que a mãe da jovem foi desrespeitada pelo adolescente. A garota também contou que ele estava alterado e a ameaçou dizendo que chamaria os "manos".
Na cartilha da promotora, ainda há a questão de posse. Ela afirma que cada um deve ter controle sobre sua própria vida. "Em um namoro legal, cada um mantém a chave da sua vida em seu próprio bolso. Isso quer dizer que você não deve deixar as decisões da sua vida nas mãos dele", diz trecho da dica número 4. Júlia Marques (nome fictício) tem 22 anos e contou sobre quando esteve em um relacionamento abusivo aos 17 anos. O namoro durou três anos e foi piorando com o passar do tempo. "Ele sabia que eu era uma pessoa insegura e que eu não havia tido muitos relacionamentos, então ele sabia e sentia que eu dependia dele. Ele fazia o que queria, era grosso, agressivo na maneira de falar, arrumava briga por qualquer motivo e já me deixou sozinha em um evento", contou.