A maior dificuldade pela qual passa a imprensa atual é o preço da sua liberdade. Imprensa livre não é aquela que fala o que o governo quer ouvir, ou o que seus leitores, telespectadores ou ouvinte gostariam que fosse mostrado. Imprensa livre, atualmente, está em extinção. É a imprensa que não depende de financiamento de poder público ou empresas públicas. É aquela que, baseada nos fatos e com o respeito que as notícias merecem, busca apurar, da melhor maneira possível, as informações. Sejam elas positivas ou negativas, mas que sempre causam repercussão na vida das pessoas, impactando-as.
Ser imprensa na atualidade já é um papel custoso, mas isso não é privilégio somente dos profissionais das notícias. Nas redes sociais, todos são repórteres, editores, âncoras de telejornais, advogados, juízes, promotores, médicos, chefs de cozinha, fisioterapeutas, veterinários, coach então, nem se fala. Estudar para quê? Fazem com que toda e qualquer profissão seja jogada na sarjeta, sem o menor constrangimento. Fazem com que aqueles que passam uma vida estudando sintam-se desvalorizados e, o pior, quase sempre, fazendo tudo da pior maneira possível: sem ética, sem escrúpulos, sem conhecimento técnico ou humanístico sobre o assunto que se propõe a discutir. Apenas sofrem de verborragia constante, achando que são os donos da verdade.
Profissionais são assim chamados porque estudam, especializam-se, fazem mestrado, doutorado, pós-doutorado. Vivenciam aquela profissão e seus temas e conflitos cotidianamente. Têm responsabilidade, e são responsabilizados, por tudo aquilo que fazem em decorrência da profissão.
Enquanto os doutores da internet se estapeiam com os “leigos”, atacando tudo e todos porque os pingos nos “is” estão fora de alinhamento ou porque, simplesmente, não gostaram de algo, o bom e velho jornalismo vai persistindo. Ao taxar a imprensa de Quarto Poder, o que a história ensina é que, sem notícias, o povo se torna alienado. Basta ver o estrago feito por Hitler na Alemanha nazista quando toda a propaganda remetia, somente, ao que ele queria que o povo acreditasse. A imprensa que fiscaliza tem papel precípuo na democracia. Quem não tem telhado de vidro, que atire a primeira pedra.
Ana Cenci é jornalista