11 de julho de 2026
Artigo

Romance mediúnico: ser ou não ser espírita - Por Wellington Balbo

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Com frequência recebo alguns livros encaminhados por editora espírita a fim de que analise a obra e veja a possibilidade de sua publicação. As obras são, em geral, romances mediúnicos.

Contudo, constata-se que grande parte não são livros espíritas, porquanto não trazem ensinamentos da Doutrina codificada por Allan Kardec. Muitos, aliás, nada falam sobre Jesus, Kardec, Evangelho segundo o Espiritismo, Livro dos Espíritos, centro espírita e tantos outros temas ligados à Codificação. São livros mediúnicos apenas, muitos até com uma história envolvente, emocionante e bem escritos, contudo, definitivamente não se tratam de livros espíritas.

Aqui vale destacar que há uma confusão envolvendo Espiritismo e mediunidade. Muitos consideram mediunidade e Espiritismo sinônimos, mas não são. Mediunidade é, obviamente, um dos aspectos importantes e, claro, estudada pela Doutrina Espírita. A propósito, o Espiritismo nasceu dos Espíritos e dos contatos que os imortais estabeleceram com o plano físico.

Entretanto, o fato de ter relação com a mediunidade não transforma um livro, uma comunicação ou o que quer que seja em espírita, até porque médiuns e mediunidade existem desde as mais remotas eras e nas mais diferentes religiões. Não é, portanto, uma invenção da Doutrina Espírita.

Alguns questionamentos: Sou médium e, então, como posso verificar se o romance que me foi ditado é espírita ou não antes de enviá-lo para que uma editora analise? Simples, basta observar se o livro está transmitindo lições da Doutrina Espírita. Se há conceitos doutrinários, se fala em reencarnação, mediunidade, amor, paz, centro espírita, Kardec, enfim, se divulga realmente o Espiritismo.

“Ah, mas tenho pouco conhecimento sobre o Espiritismo”. Então, é melhor que estude, pesquise e conheça mais a Doutrina Espírita para escrever um livro que seja, de fato, espírita. “Se o livro que recebi não é espírita pode ser uma obra de má qualidade?”

De forma alguma. O livro que você recebeu não perde o valor por não ser espírita. Contudo, não é de bom alvitre que seja divulgado e comercializado como sendo uma obra espírita, porque não o é.

Outra questão: E as editoras espíritas poderão publicar? Aí é uma questão interna de cada editora. Até poderão publicar, só não poderão chamar a obra de espírita, porque seria propaganda enganosa, prometendo uma coisa que na essência não será cumprida.

Observe, caro leitor, que o intuito deste texto não é o de denegrir, criticar ou perseguir médiuns e romances mediúnicos. A intenção é a de alertar para o conteúdo que deve haver numa obra espírita, seja de origem mediúnica ou não.

Afinal, os romances espíritas cumprem um papel muito importante no que concerne à divulgação doutrinária. São eles, na maioria das vezes, a porta que introduz o leitor ao universo do Espiritismo. Daí o cuidado para que o romance que se intitula seja realmente espírita. Tudo aquilo que se afastar de Allan Kardec e não divulgar o Espiritismo pode até ser uma coisa boa, porém, não deve receber a alcunha de espírita.

Wellington Balbo é escritor espírita e descreve esta Face Espírita/Ano 12 para publicação na Folha da Região.