Que a internet deu voz à uma multidão e vem alcançando façanhas até então, inimagináveis, é fato. O que, na maioria dos casos, passa despercebido é a dificuldade que as pessoas têm de: 1º ler; 2º compreender e 3º emitir opinião, com crítica construtiva.
O que se observa é que, principalmente na internet, quem não pensa também tem voz. Pasmem. Aqui não se critica a liberdade de expressão, mas se roga por menos pessoas querendo ‘mitar’ e mais pessoas querendo construir. Nessa cultura da ‘lacração’, o que mais se vê é todo mundo querendo tirar todo mundo. Detalhe: que ‘todo mundo’ não leu antes de emitir sua opinião. Ou, se leu, não compreendeu o que viu. Longe de querer ferir o direito à liberdade de expressão, mas as pessoas precisam avaliar, sob uma ótica simples, se é necessário emitir aquela opinião naquele momento; se é, de fato, uma opinião que vá fomentar um debate saudável ou se é, apenas, uma crítica vazia de argumentos. Vazia é, infelizmente, a situação da cabeça da grande maioria de acéfalos que galopa nos vastos rincões virtuais, diga-se, sem filtro.
É a verdade? É justo? Criará boa vontade e melhores amizades? Será benéfico? Essas quatro perguntinhas básicas, defendidas pelos rotarianos que se preocupam em saber que tipo de informação repassar e, assim, evitar fofocas e mais destruição, é, na sua simplicidade, uma grande maneira de nortear e balizar discussões. Antes de enveredar pelas searas do submundo digital, vale a pena considerar pensar, se é que hoje em dia as pessoas sabem o que é isso, e avaliar o caso. Muitos são pegos na mentira ou perdem grande oportunidades por não saberem ficar de boca fechada quando não há outra escolha. De tudo, fica este velho, porém atual, ditado: em boca fechada não entra mosquito!
A.S. Vasconcelos é consultor de carreira