Nossa vida é 100% governada pelas nossas crenças. Desde que nascemos, o mundo, a família e os acontecimentos nos ensinam o que é viver. E esta construção sobre o que é bom ou ruim é muito particular. O mundo é completamente diferente para cada pessoa, por isso que a verdade nunca é absoluta. Um evento banal em nosso cotidiano, no local de trabalho, por exemplo, pode ser vivido de uma forma completamente diferente pelos personagens presentes à cena.
Um chefe, por exemplo, pode chegar nervoso à sala depois de receber um relatório sobre as finanças da empresa. Nervoso, ele cobra coletivamente o grupo. Na sala estão três funcionários, sendo um novato, um bem experiente e outro que está prestes a se aposentar.
O chefe, que está com todo o peso do mundo às suas costas, vê a cena como comum, pois ele está dividindo parte do peso com a equipe, que ele julga ser parceira dele. Tem a certeza de que todos irão refletir sobre os resultados e buscarão, junto com ele, uma solução.
O mais novo do grupo pode se assustar com a cena e desde já cogitar uma demissão, pois ele não é obrigado a se submeter a uma situação vexatória. Também pode ficar aliviado por não se sentir culpado pelos resultados, uma vez que ele é novo ali e não lhe diz respeito o passado recente da empresa.
Os outros não terão como se eximir da culpa, mas poderão também ser tomados por sentimento de desânimo pelo jeito bruto do chefe ou ignorar. Pode até ser que um dos três veja a chance de mostrar todo seu talento, apresentar sugestões de melhorias e ainda se aproveitar da falta de capacidade emocional do chefe para mostrar que está mais bem preparado para o cargo.
Sei que este pode ser um exemplo simplista, mas se a gente tivesse a chance de perguntar como fora este encontro para cada um dos participantes, teríamos relatos completamente diferentes sobre o mesmo acontecimento.
O que vai determinar a nuance de cada relato é a visão que cada um tem da vida, que é determinada pelas crenças. E você, leitor, também terá sua vida determinada sobre o que aprendeu no passado sobre como se comportar. Se seus pais eram muito críticos, você será muito crítico com você e neste cenário narrado, sentiria um travamento. Se algum dia você aprendeu, na infância, que todo o momento é hora de mostrar sua força, sairia mais forte na empresa depois do destempero do chefe.
Nossas crenças governam e determinam nossas ações, e muitas pessoas acreditam que são os fatores externos que controlam suas vidas. Na verdade, toda mudança pessoal tem início na crença e não no comportamento como alguns acreditam. Quando você aprender a ressignificar suas crenças, abrirá as portas para a vida que sempre sonhou, mas ainda não tem por onde achar que é pecado, difícil ou não merece.
Jean Oliveira é jornalista, bacharel em Turismo e funcionário público municipal