09 de julho de 2026
Artigo

Mistério da Fé - Por Padre Charles Borg

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Envolvente é a solenidade de Corpus Christi. Nasce em uma comunidade de monjas belgas, com rápida expansão pelo mundo cristão, em uma tentativa piedosa para resgatar a fé e a veneração pela celebração da Eucaristia! Fixa-se realizar a solenidade na quinta-feira após a celebração do domingo da Santíssima Trindade, por ter sido numa quinta-feira quando Jesus celebrou pela primeira vez a Eucaristia na Santa Ceia. A comunidade católica mundial, com suas peculiaridades culturais, festeja a solenidade, cabal demonstração da sua importância no processo de conscientização teológica dos cristãos a respeito da Eucaristia.

A realização da solenidade favorece a possibilidade de oferecer às comunidades dos fieis uma catequese sobre a Eucaristia. Como o objetivo é resgatar a veneração pela Eucaristia, o enfoque da instrução passa a ser a real presença do Senhor Jesus Cristo sob as espécies do pão e o do vinho. Surgem, então, algumas práticas piedosas como expressão desta renovada veneração da sagrada presença. Organizam-se procissões com o objetivo de ‘expor’ a presença de Jesus ao povo. Confeccionam-se ricos ostensórios, dignas ‘moradias’ para o Senhor, chegando ao ápice das deslumbrantes custódias ainda em uso na Espanha. Por sua vez, o povo simples decide confeccionar coloridos tapetes, repetindo o gesto do povo em Jerusalém ao recepcionar Jesus em sua triunfal entrada na cidade.

A insistência na reverência introduz uma sutil, embora significativa, mudança de enfoque com relação à Eucaristia. Confunde-se reverência com adoração! Migra-se da dimensão de Ceia e de Sacrifício para a dimensão de adoração. Enxertam-se na celebração da Missa rubricas de adoração, associados ao rito da Consagração, desconsiderando que Jesus já está real e verdadeiramente presente quando os fieis se reúnem e quando se proclama a Palavra! O equívoco invade, inclusive, a catequese eucarística, imaginando referir-se a expressão ritual ‘eis o mistério da fé’ ao milagre da transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue do Senhor Jesus! A leitura atenta das aclamações sugeridas pelo Missal para o rito induz o fiel a reafirmar sua fé na original perspectiva da celebração eucarística. A celebração eucarística é mistério da fé porque faz memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus, Aliança da salvação, dimensão maravilhosamente expressa na inspirada oração oficial para o dia, elaborada por Santo Tomás de Aquino.

Em procissão, caminha pela cidade a comunidade dos fieis, em dia de Corpos Christi, acompanhando o Senhor Jesus presente e vivo nas espécies eucarísticas. Busca-se perpetuar nesta caminhada ‘o mistério da fé’, em sua dimensão teológico-litúrgica, reafirmando publicamente a fé na presença redentora do Senhor na Eucaristia, mas também em sua dimensão solidária, mantendo vivo o atemporal desafio proposto pelo Mestre: dai-lhes vós mesmos de comer!

Padre Charles Borg é vigário-geral da Diocese de Araçatuba