09 de julho de 2026
Artigo

Educação ou morte - Por Bruno Raphael de Souza

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Temos discutido neste espaço, há algum tempo, a importância da educação para a formação da cidadania. Por meio dos nossos artigos, temos ressaltado o quanto as escolas têm se tornado imprescindíveis para que a humanidade atravesse esta grande revolução global por meio do desenvolvimento digital. Enquanto a humanidade não estiver preparada para os novos tempos, velhos problemas continuarão a assolar o nosso cotidiano.

Agora, um estudo novo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), vinculada à Organização das Nações Unidas, mostra a importância da educação para a redução da violência, que é um dos males que permanecem em alta apesar de toda evolução social, econômica e intelectual registradas nas últimas décadas.

A Unicef, baseada em seus estudos apresentados nesta segunda-feira (17) no seminário "Educação é Proteção contra a Violência", no Rio de Janeiro, aposta no acesso à escola como um mecanismo fundamental para reverter a tendência atual que, segundo ela, pode levar à morte de quase 2 milhões de crianças e adolescentes no mundo até 2030.

As pesquisas apresentadas pelo órgão mundial revelam ainda que, na maior parte das vezes, o jovem vítima de homicídio está fora da escola ou em vias de abandoná-la. Estar na escola é um fator de proteção. No Ceará, por exemplo, um levantamento feito em Fortaleza e em outros seis municípios mostrou que 70% dos meninos e meninas assassinados haviam largado a escola há, pelo menos, seis meses.

No Brasil, os dados apontam que 32 meninos e meninas entre 10 e 19 anos são vítimas de homicídio a cada dia, o que coloca o país na primeira posição em número absoluto de assassinatos de adolescentes no mundo. Proporcionalmente, os números brasileiros são inferiores apenas aos registrados na Venezuela, Colômbia, El Salvador e Honduras.

Trata-se de um problema que afeta de forma mais incisiva um perfil específico: jovens negros de família de baixa renda, parcela da sociedade que depende muito do acesso à escola pública. Entre 2007 e 2017, mais de 107 mil adolescentes entre 10 e 19 anos no Brasil morreram em decorrência da violência. Para cada sete vítimas, cinco são negras.

Estudos do Ibge - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revelam que 14,8% dos estudantes do 9º ano entrevistados em 2015 declararam ter deixado de ir à escola ao menos um dia nos 30 dias anteriores por não se sentirem seguros no caminho de ida ou de volta. Está mais do que claro que a educação tem que ser tratada com maior seriedade.

Bruno Raphael de Souza é empresário