11 de julho de 2026
Artigo

Um certo fascismo romântico na política - Por Fernando Verga

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar do recém passado Dia dos Namorados, o que se discute é o Romantismo histórico, aquele que ocorre, principalmente, entre os séculos XVIII e XIX na Europa e no Brasil. O filósofo Isaiah Berlin diz que é uma armadilha tentar resumi-lo, pois influenciou muitas áreas do pensamento no mundo ocidental. A ascensão do nacionalismo no século XIX, por exemplo, é ligada ao Romantismo, assim como o Nazismo. A Era Romântica emerge a partir da riqueza e senso de estabilidade criado no precedente período do Iluminismo, e depende das realizações práticas desenvolvidas a partir da Era da Razão, apesar do distanciamento da racionalidade ser uma das características do movimento. É uma ligação entre o conforto que a riqueza proporciona a partir do conhecimento científico-tecnológico e a busca de transcendência espiritual e pessoal. A relação que venho costurando através de pesquisas é sobre a vertente fascista do Romantismo. Então, com cuidado, tenho elencado fatores do atual discurso político da extrema-direita brasileira que o enquadra nesta ótica romântica, afinal, há uma ideia latente de que a identidade brasileira estava à deriva, manchada, e que uma força (messiânica) surge para trazê-la de volta às suas origens. Além disso, o ódio irracional pelo comunismo e a própria irracionalidade são características desta vertente, liberando um instinto bruto e agressivo. A busca pela individualidade é suprimida e dá lugar a uma concepção de comunidade uniforme, o corpo do povo. Há uma nostalgia pelo passado que remete ao homem bárbaro, dominado pela irracionalidade instintiva e violenta (ditadura, belicismo). Até a confusão que brasileiros fazem entre fascismo, comunismo e Nazismo é, de certa forma, romântica, pois, no fundo, essa ignorante tentativa de destruir concepções é uma busca por identidade. Enfim, entre os fatores que tenho pesquisado, um se destaca nestes discursos: o aspecto místico-religioso, bastante presente no pensamento político que governa o país. De certa forma, o bolsonarismo das ruas idealiza o mito do messias, aquele ungido por Deus para dignificar a nação. Depois de cair tanto nessa lorota, devíamos ser mais racionais em relação a essa velha narrativa romântica que cega com paixões irracionais. Como mostra a História, uns já foram, uns estão e outros virão. Aprendamos mais com ela.

Fernando Verga é jornalista