Há uma preocupação muito grande dos prefeitos instalarem assessorias de imprensa como cargos de confiança, sujeitos às interferências e determinações de pautas originadas nos gabinetes. Esse controle não fortalece a democracia, nem incentiva a pluralidade de análise e conceito sobre os fatos. O Tribunal de Contas vem exigindo que se realizem os concursos de seleção para contratação efetiva desses servidores que devem ser jornalistas, submissos aos critérios éticos da profissão e não dos políticos que os nomeiam. A produção de releases é importante, não tem dúvida, mas as pautas que nascem das redações e das ruas, merecem a atenção das assessorias, ajudando os repórteres a obter todas as informações necessárias. As assessorias de imprensa, como nome diz, devem ser ponto de apoio para o trabalho dos jornalistas, ajudando na produção da reportagem e na valorização da informação que precisa chegar ao conhecimento da população conforme o critério daquele veículo. Cada qual tem sua linha editorial, voltada para o tipo de clientela que ele atinge. O veículo pode não estar ao gosto do político, mas se ele chega ao público com respeito, assim ele deve ser tratado. Daí os recursos provenientes do orçamento público não podem estar vinculados ao posicionamento editorial desses veículos, mas ao conceito que a população faz dos mesmos. E para medir essa credibilidade e alcance, existem as agências de publicidade. Câmaras e Prefeituras deve, portanto abrir concurso para jornalistas e licitações para as agências. As verbas publicitárias devem ser destinadas aos veículos de comunicação, conforme um planejamento de Agências de Propaganda. O objetivo do gasto com a mídia não é defender os políticos ligados à administração, mas utilizar o acesso público desses veículos, para potencializar a transparência dos atos, as campanhas de saúde, arrecadações de impostos, cidadania e outros que favorecem a proximidade do contribuinte com o poder público. Como consequência desse sistema, o poder público investe na mídia também para fortalecer a democracia, a pluralidade e a sobrevivência da classe que vive do pensamento, da escrita, da imagem e de toda arte que facilita o entendimento, a comunicação.
Antonio José do Carmo é jornalista