Domingo é o Dia Mundial das Comunicações. Ele foi instituído pela Igreja Católica. Foi no Concílio Vaticano II e a data é móvel porque coincide com o calendário religioso que também comemora a Ascensão de Jesus Cristo.
A data é sempre lembrada pelo Papa que evite texto de reflexão sobre o tema, no contexto contemporâneo. Houve tempo em que rádio, jornal, televisão e alto-falantes eram os comunicadores sociais, com uma estrutura de acompanhamento e checagem das informações e um comportamento ético evidentemente transparente.
Mas os tempos hoje são muito mais complexos para a fluidez da informação verdadeira. Cada indivíduo pode ser um canal de televisão. Ele próprio pode produzir, editar e publicar para o mundo todo em tempo real. Essa facilidade de expressar e publicar ainda vem sendo regulamentada e fiscalizada, mas devido sua velocidade, fica praticamente impossível evitar algum dano antes que chegue ao conhecimento público.
Em sua mensagem para o Dia Municipal das Comunicações, o Papa Francisco apresenta sua mensagem é para uma reflexão sobre o “fundamento e a importância do nosso ser-em-relação e descobrir, nos vastos desafios do atual panorama comunicativo, o desejo que o homem tem de não ficar encerrado na própria solidão”.
“É necessário reconhecer que se, por um lado, as redes sociais servem para nos conectarmos melhor, fazendo-nos encontrar e ajudar uns aos outros, prestam-se também a um uso manipulador dos dados pessoais, visando obter vantagens no plano político ou econômico, sem o devido respeito pela pessoa e seus direitos”, afirma o Papa Francisco.
Ficam potencializados com as novas formas de comunicação, toda forma de preconceito ético, sexual, religioso e outros. Essa tendência alimenta grupos que excluem as diferenças e formam “comunidades” dos iguais, que alimentam o individualismo, o narcisismo e toda forma de exclusão e egoísmo. E portando, aquilo que deveria ser uma janela para o mundo, vira uma porta para se chegar apenas à si mesmo, estabelecendo suas próprias verdades e propagando o desconhecimento como conceito verdadeiro.
Não serão fáceis os próximos anos. A população mais atingida é a que vem surgindo nova na idade, sem a experiência e os controles que existiam no passado. Há um desafio gigantesco para os educadores, os pais e toda a nação que prima pelos valores morais de um sociedade pluralista e tolerante.
Antônio José do Carmo é jornalista