10 de julho de 2026
Artigo

Fanatismo, a bandeira dos ignorantes - Por Ayne Salviano

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

A palavra “fanático” foi criada no século 18. Designava pessoas extremistas, exaltadas e acríticas ligadas a uma causa política ou religiosa. O tempo passou. De lá pra cá, o termo banalizou-se. Hoje, em algumas ocasiões, é usado até para valorizar um sentimento, por exemplo, “fanáticos por futebol”, por séries de TV, por quase tudo. Espera-se, pelo menos, que as pessoas ainda consigam avaliar o nível do fanatismo, que entendam que um “fanático por novelas” é menos perigoso do que um nazista fanático.

O termo “fanatismo” é mesmo ruim e está comprometendo a defesa dos direitos humanos em pleno século 21. Certa vez, o professor Rubem Alves definiu os fanáticos como “pessoas honestas, que acreditam nos seus pensamentos e nada os dissuade do seu caminho”. E é justamente porque acreditam apenas nas suas verdades que tudo fazem para destruir quem tem ideias e/ou comportamentos diferentes.

Os escritores Carla e Jaime Pinsky, autores da obra “Faces do Fanatismo”, explicam que os fanáticos creem que suas verdades são divinas e, por este motivo, não aceitam dialogar nem receber nenhum questionamento. Essa irracionalidade é, justamente, a condição do fanático.

Fica fácil entender, então, a falta de capacidade destas pessoas em reconhecer e aceitar o outro. Não há empatia nem alteridade nem sororidade. Há, apenas e simplesmente, uma dificuldade de diálogo. E onde não há diálogo, sobram julgamentos, preconceitos, violência. Já afirmava Denis Diderot, “do fanatismo à barbárie não há mais do que um passo”.

E a História prova isso com o Holocausto da Segunda Guerra e a morte de mais de 6 milhões de judeus e o genocídio de Ruanda, no início dos anos 1990. No Brasil, contamos as mortes crescentes de mulheres, pretos, pobres, homossexuais. Quem serão os próximos?

O fanático é um ignorante. A ignorância leva à violência. As armas aumentam a violência. E por fanatismo vamos condenando vidas. E qualquer semelhança é mera coincidência.

Ayne Salviano é jornalista