Primeiramente, gostaria de explicar que todo Liberal sempre acredita na bondade do ser humano em primeira análise. Segundo, para mim, como Cristão, existem dois tipos de benemerência: uma, a verdadeiramente Cristã, e a outra, a Marqueteira. A Cristã é aquela ensinada por Jesus Cristo, segundo o evangelho de Mateus, que diz que devemos praticar a caridade de tal forma que se a fizermos com a mão direita, nem a mão esquerda fique sabendo.
Existe a benemerência marqueteira, que é aquela benemerência que fazemos de tal forma que as pessoas ficam sabendo de nosso ato de caridade. Independentemente do que as pessoas digam ou não, se fazem essa benemerência despretensiosamente ou não, fato é que todos ficam sabendo do ato praticado. Se há maldade nisso ou não, na vida prática (não religiosa), isso não tem relevância, uma vez que o objetivo em síntese era o de ajudar a melhorar de algum modo a vida do próximo.
Mas o que isso tem a ver com o Liberalismo, o Estado e os Indivíduos? Tudo! Explico-me. Antigamente, a benemerência era praticada pelas famílias abastadas que viam seu poder político aumentar com tal atitude. Assim, o Estado, feito de políticos que não gostam de concorrência, começou a criar muitas regras fiscais para impedir de fato que a benemerência fosse praticada pelos indivíduos.
Quis o Estado ser o único detentor do direito de praticar a benemerência, prometendo saúde gratuita de qualidade, um futuro pródigo depois do envelhecimento, cuidar de nossas crianças educando as mesmas com qualidade, etc. Para praticar tal benemerência ele passou a roubar as pessoas através dos impostos, de tal modo que a caridade passou a ser tratada pelo Estado com outro nome, a de Igualdade Social, justificando assim o injustificável, o ato de roubar.
Nós, Liberais, acreditamos na benemerência e na bondade do homem. Mas acreditamos que roubar e espoliar jamais serão justificáveis sob qualquer égide de bondade. Acreditamos que a benemerência deve voltar a ser praticada por quem tem riqueza sobrando, mas de forma livre, e não sendo extorquido pelo Estado, para que este dê esmolas com o dinheiro alheio.
Rodrigo Andolfato é membro do Ilan