10 de julho de 2026
Artigo

Armar a população é mesmo a solução? - Por Fernando Zar

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Uma das grandes promessas do presidente Bolsonaro na campanha foi de facilitar o acesso da população a armas de fogo.

O Estatuto do Desarmamento , implementado em 2003, diminuiu os índices de homicídio de 21,4% para 0,3% (Instituto de Pesquisas Econômicas). Anteriormente, a população podia comprar armas, como revólveres ou pistolas, em lojas de artigos esportivos, o que gerava o aumento nas taxas de homicídio. Quanto mais armas circulando, maior as chances do cidadão querer resolver suas discussões e frustrações na bala. Por conta do desarmamento, o IBGE calcula que aproximadamente 120 mil vidas foram poupadas.

Para o professor Daniel Misse, do Departamento de Segurança Pública da Universidade Fluminense, armar a população não traz mais segurança, pelo contrário. Segundo Misse, flexibilizar as leis podem fazer com que as taxas de homicídio voltem a subir.

Além do aumento da violência, letal em situações rotineiras, outro ponto que preocupa entidades e pesquisadores é a possibilidade do crescimento dos casos de feminicídio, ou seja, o assassinato de mulheres baseado em questão de gênero. O Mapa da Violência de 2015 aponta que, entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram por sua condição de ser mulher. As mulheres negras são ainda mais violentadas. 

Os Estados Unidos são o país em que mais civis possuem armas de fogo. De acordo com uma reportagem da BBC, os EUA possuem a maior taxa de homicídios com arma de fogo do mundo. Somente em 2016 foram mais de 11 mil assassinatos. 

Por mais que o acesso a armas seja caro e as condições de possuir uma arma tenham critérios, ainda assim, imaginem que a pessoa que tiver uma arma irá querer deixar em casa, num cofre. Bastaria uma discussão no trânsito, no bar, na disputa de um jogo na várzea ou em tantos outros locais.

Isso também não garante que o ladrão não irá entrar em sua casa, ou ele vai avisar que vai te roubar pra você ficar esperando para lhe dar um tiro?
A segurança é um dever do Estado e não nosso.

Fernando Zar é sindicalista