09 de julho de 2026
Artigo

Kardec no foco das câmeras

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

Chegou aos cinemas no dia 16 de maio o filme Kardec! Mesma data em que este espaço Face Espírita completou 12 anos.

Com muita satisfação assistimos o longa-metragem, que precisa ser visto. E começando pelos espíritas, como ensejo para análises e reflexões oportunas sobre as relações com fenômenos e com médiuns.

Trata-se de um filme sério, sem arroubos e com poucas licenças cinematográficas. Focaliza um momento crucial da mudança do professor Hyppolite Léon Denizard Rivail para Allan Kardec, e com pitadas bem humanas dele e de sua esposa Amélie Boudet procurando superar as dificuldades e as dúvidas.

O filme mostra o professor Rivail, algumas de suas ideias como educador e que, em seguida, tenta entender as mensagens do além, que recebe por diferentes médiuns. Cético, durante o século XIX ele investiga os mistérios que ocorrem em Paris, procurando estabelecer um método para analisar os fenômenos, até se convencer da comunicabilidade dos espíritos e de assumir o pseudônimo Allan Kardec, com a publicação de O livro dos espíritos.

Na realidade, o filme registra uma parte inicial da trajetória do codificador, desde os contatos com as “mesas girantes” até o aparecimento de O livro dos médiuns e o Auto de Fé de Barcelona, em 1861.

O filme tem grande qualidade técnica, com cenas e vestimentas aclimatadas ao glamour da Paris do Século XIX. Baseia-se na excelente obra Kardec – a biografia, escrita pelo jornalista Marcel Souto Maior (2013), que conta a história do educador francês Hyppolite Léon Denizard Rivail e de sua atuação como Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita.

De matéria jornalística elucidativa e até didática de Fabiana Schiavon, da Folha de São Paulo (16/5/2019), destacamos a apreciação do autor do livro Marcel Souto Maior: “A história do longa levanta dois pontos relevantes sobre Kardec. O primeiro se refere sobre o que faz um professor cético mudar de nome e de vida aos 53 anos para dar voz aos espíritos. O segundo momento é narração sobre a perseguição sofrida pelo escritor, dos adversários que ele teve de enfrentar, como a ciência, a igreja e a imprensa.”

Na matéria citada, o diretor Wagner de Assis, que também foi diretor do filme Nosso Lar, comenta que “o filme apresenta um Kardec pouco conhecido e que é comumente visto como um médium ou homem místico, e dá o contexto do momento em que tudo isso aconteceu. A abordagem é mais do ser humano que o codificador viveu.”

A cinebiografia tem o papel principal interpretado por Leonardo Medeiros e conta com o talento de bons atores: Sandra Corveloni, Guilherme Piva, Genézio de Barros, Guida Vianna, Júlia Konrad e Dalton Vigh. Kardec é produção da Conspiração Filmes e distribuído pela Sony.

Esperamos que o filme de boa qualidade técnica, de conteúdo sério e oportuno possa sensibilizar espectadores não espíritas. Ratificamos registro da jornalista da Folha: “A expectativa dos produtores e de espíritas é que o filme alcance também o público cético. É importante que as pessoas saibam como começou a história do Espiritismo e o fato de que Kardec começou esse trabalho já na fase madura dele e com uma formação acadêmica sólida.”

Como adendo, informamos que se encontra em finalização de edição um outro trabalho cinematográfico focalizando o codificador. Trata-se de Em busca de Kardec, numa modalidade diferente, de série e documental, produzido pela Lighthouse.

Os 150 anos da desencarnação de Allan Kardec (31 de março último) estão sendo bem assinalados dentro e fora do Movimento Espírita!

Antonio Cesar Perri de Carvalho é escritor, ex-presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e da Federação Espírita Brasileira. O araçatubense descreve esta Face Espírita/Ano 12 (no último dia 16 de maio) para publicação na Folha da Região.