Golpes de clonagem de WhatsApp estão fazendo diversas vítimas em Araçatuba. Com aplicativos falsos, mas com dados reais das vítimas, os criminosos pedem dinheiro como se fosse para uma urgência. Segundo o delegado Getulio Nardo, esse número vem crescendo principalmente nos últimos três meses na cidade. Golpistas clonam contatos de Whatsapp e se passam pelos verdadeiros donos para pedir dinheiro emprestado.
De acordo com Nardo, os criminosos invadem a conta da vítima, escolhem um contato (geralmente pessoas da família ou amigos próximos) e enviam mensagens pedindo valores. "Eles dizem que precisam fazer um depósito bancário para pagar uma conta, com urgência, e que por algum problema não conseguiram", explica.
Ele observa que o correto é as pessoas se certificarem antes de fazer qualquer depósito, ligando e conversando com a pessoa dona do contato e que supostamente está lhe solicitando o empréstimo. "Hoje em dia as pessoas não checam a veracidade das coisas que recebem pela internet, por isso, os golpistas agem com facilidade e conseguem êxito naquilo que planejam", afirma Nardo.
O delegado contou em entrevista à Folha da Região que as contas para onde são enviados os depósitos são difíceis de rastrear, já que são contas frias e abertas com documentos de laranjas ou pessoas que perderam seus documentos. "Hoje se abre até conta bancária pelo Whatsapp, então é difícil de rastrear".
Na semana passada, uma autônoma de 39 anos foi vítima desse golpe em Araçatuba. Ela registrou um boletim de ocorrência e contou que postou o anúncio do seu carro no site da OLX e momentos depois, uma pessoa utilizando uma foto da logo da OLX lhe enviou uma mensagem no aplicativo. A pessoa informou da necessidade de validar o anúncio com um código e após isso, recebeu um SMS com um link para a confirmação. De acordo com o delegado, após clicar nesse link, a rede social dela foi clonada e aí, começaram a pedir dinheiro para os contatos da autônoma, como se fosse ela.
"Uma das amigas da vítima, uma maquiadora de 35 anos, contou que recebeu uma mensagem pedindo para ela realizar um depósito no valor de R$ 700, mas como não conseguiu enviar todo o valor, depositou R$ 400 em uma conta da Caixa Econômica Federal, na cidade de Guarulhos", disse Nardo.
Questionado sobre uma solução para os casos, ele explicou que é algo muito difícil. "Não é qualquer pessoa que pratica esses golpes. São hackers. Eles entram no aplicativo e pedem o dinheiro. Isso não depende só da polícia, mas sim, de quem tem acesso à plataforma, no caso o próprio Whatsapp, até porque isso está se tornando muito comum", concluiu.
Segundo o delegado, o golpe pode acontecer com qualquer pessoa. "Não há um padrão de idade, todo mundo acredita. A pessoa se passa por um amigo e se coloca em uma situação de emergência e as pessoas não checam", acrescenta Nardo.
Em Araçatuba, também na semana passada, um advogado de 33 anos foi vítima da clonagem da rede social. Segundo informações do boletim de ocorrência, uma pessoa desconhecida se passou por ele, e alegando uma dificuldade financeira urgente, pediu dinheiro para seus contatos. Um parente do advogado fez um depósito de R$ 2 mil.
"Além dos diversos boletins que a imprensa tem acesso, existem aqueles que os denunciantes pedem para não serem divulgados, e muitos casos também não são relatados à polícia, porque as vítimas se sentem constrangidas por terem caído em um golpe de estelionato via internet", afirma Nardo.
Nardo contou que a polícia investiga, mas há uma dificuldade em torno, por conta do número do golpista, que na maioria das vezes é de um celular pré-pago e só a operadora poderia fornecer. "Isso é muito demorado, sem contar o fato de que as contas são feitas com nomes de pessoas que sequer sabem que foram abertas. É tudo muito esquematizado. Os estelionatos não são vinculados apenas a uma pessoa ou a uma quadrilha. Não é algo de Araçatuba. É de Birigui, São Paulo, Mato Grosso, do país todo. São pessoas capacitadas para a clonagem, que têm conhecimento tecnológico", finalizou.