Dia das Mães é data oportuna para discutir dois assuntos polêmicos em pauta: educação sexual nas escolas e aborto. Entre outras realidades que incomodam, a gravidez na adolescência e a morte de mulheres pobres após abortos mal sucedidos têm alcançado índices que demonstram urgência na resolução destes problemas.
Um relatório da Organização Mundial de Saúde de 2018 aponta que o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada 1 mil meninas de 15 a 19 anos. O índice brasileiro está acima da média latino-americana, de 65,5. Em países desenvolvidos como os EUA, esse número é de 22,3 nascimentos.
É possível que alguém questione: a educação sexual precisa acontecer nas escolas? Não, não precisa se você for o tipo de pai ou mãe que fica confortável ao explicar, por exemplo, o que é o “golden shower” exposto pelo presidente. Caso contrário, uma boa aula de ciências sobre aparelho reprodutor, higiene, contracepção, como sempre existiu desde quando eu era criança, pode ajudar meninos e meninas cuidarem da própria saúde, se prevenirem contra doenças sexualmente transmissíveis e evitarem a gravidez precoce. Também pode auxiliar a entenderem o que é abuso sexual e estupro, violências cada vez mais presentes no cotidiano, infelizmente.
A questão do aborto, discutida de novo agora no Senado, é outro problema. O Ministério da Saúde já sabe que independente da lei, a mulher que engravida e não quer o bebê, aborta. As ricas pagam clínicas particulares. As pobres fazem o serviço em locais insalubres, mas acabam no serviço público de Saúde pelas complicações que todos conhecem: quando não ficam estéreis, morrem. O endurecimento da lei do aborto só vai escolher quem morre. Serão as mulheres pobres. De acordo com o próprio Ministério da Saúde, é uma a cada dois dias.
Aproveitemos este Dia das Mães para entender que maternidade não pode ser imposta. Precisa ser uma escolha consciente.
Ayne Regina Gonçalves Salviano é professora