08 de julho de 2026
Artigo

Estar bem com o trabalho

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

A certa altura de um discurso para alunos na Universidade de Stanford, nos EUA, Steve Jobs afirmou: “A única maneira de produzir um excelente trabalho é amar o que faz. Se você ainda não encontrou o que ama, continue procurando, não se acomode”. Seu YouTube, desse assunto foi visto por mais de 20 milhões de vezes. O sucesso mostra como a ideia de fazer o que gosta virou um mantra de nossos tempos.

Trabalhar com algo que nos expresse e nos traga realização para Pedro Santi, coordenador do Departamento de humanidades e direito da Escola Superior de Propaganda e Marketing, seria o crime perfeito. É quando se tem para oferecer ao mundo exatamente aquilo que ele quer. “É uma negociação. Eu tenho meus valores, fantasias e necessidades financeiras e encontro no mundo um lugar onde isso é reconhecido e contribui para a sociedade”.

Uma outra visão tem Ben Horowitz, grande empresário americano do Vale do Silício, ao firmar, em discurso de formatura, o risco de seguir cegamente suas paixões, porque tudo muda com o tempo, “você pode amar uma coisa, mas simplesmente não ser bom naquilo”. A dica dele é “que você encontre o que faz bem e invista nisso, argumentando que tendemos a gostar daquilo que nos torna bem-sucedidos”.

Pensadores modernos dizem que se colocou elevada expectativa na escola profissional. Que hoje não é suficiente só amar o que faz, você tem que nutrir boas relações e gerar impacto na sociedade. Não vale mais o cientista trancado no laboratório, adorando o que está fazendo, se ele não está conectado com o todo.

Psicólogos da linha junguiana, apontam que “para nos realizarmos, precisamos integrar a dimensão amorosa – família, casal, amigos – que na modernidade, está sendo cada vez mais relegada a segundo plano”.

De Santi, já citado, diz que “temos dois desafios: construir relações afetivas importantes, de família, companheiro, filho, e se realizar profissionalmente”. “O importante é achar o balanço”. Há pessoas que são felizes só cuidando dos filhos em casa ou trabalhando em algo burocrático das 8h às 18h, pois gostam dessa rotina. Outras, transformando um hobby em profissão. E há aquelas que irão para um modelo híbrido: um trabalho digno, mas que não as realize e, em contrapartida, dê tempo para investir em viagens ou ficar com a família. O que vale é ir atrás de suas verdadeiras vontades.

Mônica Barroso, coach, acertadamente propõe você listar as pessoas que considera bem-sucedidas e, depois, questionar se elas realmente representam seus valores. Steve Jobs foi um gênio inovador, mas você gostaria de dedicar tanto sua vida ao trabalho, ou seus ídolos foram mesmo seus avós, que conseguiram cuidar de tudo e criar dez filhos, verdadeiros guerreiros?

Nessa busca é preciso lembrar, acima de tudo, que não nos resumimos ao trabalho, e que ele não é nossa única fonte de realização. E, para além do dueto amar e trabalhar, existem tantas outras facetas que nos definem e podem nos dar prazer.

Mais a mais, quem se realiza em seu trabalho, não trabalha, vive em pleno lazer.

Gervásio Antônio Consolaro é ex-delegado Regional Tributário e assessor executivo na Secretaria Municipal da Fazenda