09 de julho de 2026
Artigo

Cientista brasileira no cinema

Por Redação |
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Ciência, quando é tema de filme, das duas, uma: ou é ficção ou uma cinebiografia. No cinema norte-americano, o primeiro tipo é mais comum, mas há muitos filmes que focam na vida de destacados cientistas ou no período de alguma descoberta importante. São os casos de produções como “Uma mente brilhante” (2002), “A teoria de tudo” (2015), “O jogo da imitação” (2015) e “O homem que viu o infinito” (2016). No Brasil, não se vê a Ciência como inspiração, seja na ficção ou não. Mas, um filme pode mudar essa história de desprestígio, reflexo da impopularidade do tema na sociedade.

Uma história real entrou em pré-produção pela Globo Filmes e contará a vida de superação de Joana D’arc, que não é a santa francesa, mas a premiada cientista brasileira de sobrenome Souza. Joana é química, professora e pesquisadora da Etec de Franca, onde desenvolve estudos sobre reaproveitamento e aplicação de couro e pele suína para transplantes em seres humanos, entre outros.

Filha de empregada doméstica e de um funcionário de curtume, enfrentou infância pobre e sofreu preconceito racial durante a vida por ser negra. Aprendeu a ler aos 4 anos de idade e, aos 14 anos, foi aprovada nos vestibulares da Unicamp, USP e Unesp. Fez mestrado e doutorado no Brasil e cursou o pós-doutoramento, a convite, na Universidade de Harvard. Tudo isso até os 25 anos de idade, aproximadamente. Por conta da repercussão de suas pesquisas, Joana D’arc acumula mais de 80 prêmios nacionais e mundiais.

Apesar do reconhecimento, ela não é famosa no Brasil. Seu nome começou a repercutir fora do ambiente acadêmico após receber o título “Personalidade 2017”, quando recebeu o convite da Globo para ter sua história transformada em filme. Aqui na região, palestrou no Instituto Federal de Birigui e foi homenageada pelo seu Centro Acadêmico de Matemática.

Num cenário real cada vez maior de desprestígio intelectual, em que nossas universidades sofrem agressões da sociedade e do governo, a história de superação da doutora Joana pode trazer alguma esperança para nós, enquanto seres humanos, e para o cinema, enquanto arte que pode ser mais útil num país tão ignorante como este.

Fernando Verga é jornalista