08 de julho de 2026
Artigo

Luto, Qualidade de Vida e Saúde

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

O falecimento de uma pessoa querida nos põe de luto, a perda de um animal de estimação, de um sonho, a reprovação em um concurso, o término de um relacionamento, o divórcio, a aposentadoria, tudo isso, também tem potencial para nos por de luto. A morte de um ídolo deixa toda uma nação de luto, como foi o caso de Ayrton Senna. Assim como a morte de um herói deixa toda uma Instituição de luto, como foi a morte indefesa do Cabo Fernando Flávio Flores da ROTA paulista neste final de semana.

O luto paralisa, causa uma dor insuportável, desesperança, raiva, angústia, tristeza, medo, insegurança, solidão, vazio. Um sentimento que desorienta a vida, tira o sentido das coisas, procura explicações e não tem prazo ou tempo para passar.

Para a psicóloga e especialista Maria Julia Kovács do Laboratório de Estudos sobre a Morte (LEM) da Universidade de São Paulo, não há uma fórmula para lidar com o luto, mas é possível acolher o sofrimento e quando isso ocorre inicia-se o processo de elaboração do luto.

Mas, como lidar e apoiar uma pessoa de luto? No entendimento de Kovács, o melhor apoio e suporte que pode ser oferecido é estar disponível naquilo que a pessoa precisar (consolo, acolhimento, conforto, esclarecimentos). Na maioria das vezes é melhor oferecer uma escuta atenciosa e falar somente o essencial. Caso seja intenso o sofrimento ou houver uma situação de risco de adoecimento, um profissional saberá lidar melhor com a situação.

Muito embora nossa sociedade atual exija do enlutado uma reação à vida, não respeita a intensidade do sofrimento e, por vezes, exige um restabelecimento rápido, ainda que por meio medicamentoso, importa saber que o luto não acaba nunca, oscila para melhor ou pior no cotidiano, daí porque permitir ao enlutado expressar-se sempre, ainda que silenciosamente.

Por tudo isso, a recordação do ídolo Ayrton Senna (do Brasil) e a consternação pela passagem do Cabo Fernando, feitas com muita compreensão, paciência e empatia, pode ser essencial para o fortalecimento dos laços sociais, importantes para a sobrevivência do EU biológico, psicológico, social e espiritual.

Paulo Augusto Leite Motooka é coronel da PM