08 de julho de 2026
Artigo

Sejamos resilientes

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Uma das habilidades humanas que mais admiro é a resiliência. Esse substantivo feminino pode ter diversas definições, de acordo com o campo de estudo em questão. Na física, resiliência é a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à sua forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Um exemplo clássico: uma esponja de cozinha que amassamos e depois soltamos. Ela rapidamente retorna ao seu formato original.

Na psicologia, resiliente é aquele que, mesmo frente a dificuldades, consegue lidar com seus problemas e superar obstáculos, sem ceder à pressão.

Muitos confundem ser resiliente com ser insistente. Há uma grande diferença entre ambos. O insistente tenta, tenta, incansavelmente, até conseguir, ou não. Mas não passa por um processo de aprendizado e reestruturação como a pessoa resiliente, que tenta manter sua essência no meio desse processo.

Simplificando, ser resiliente é se virar com o que se tem. Em tempos de crise isso faz mais sentido do que nunca. Sabe aquela história de pegar um limão e transformar numa limonada? Pegar as pedras que te atiram e construir uma escada? Mas, e se a vida te presenteia com uma bacia cheia de jilós? Criatividade ajuda nessa hora, mas é a resiliência que vai te tirar do torpor, trazer de volta o equilíbrio depois do susto e dar flexibilidade para buscar alternativas.

Com o mundo em constante mudança, onde empresas nascem e crescem em ritmo acelerado e outras tornam-se obsoletas e morrem também rapidamente, onde mais da metade dos empregos que os jovens de hoje terão no futuro sequer ainda existem, onde fronteiras das mais diversas esvanecem e abismos culturais encolhem, essa habilidade torna-se vital.

Afinal, nos dias de hoje, para ter uma vida mais saudável e feliz é preciso adaptar-se, aprender, aceitar mudanças, enfim, tornar-se resiliente, mas sempre preservando sua essência. Pois, como disse Antoine de Saint-Exupéry, no clássico O Pequeno Príncipe: “É com o coração que se vê corretamente; o essencial é invisível aos olhos.”

Ana Laura de Almeida é cirurgião dentista