Uma das características da pessoa apaixonada é a loucura. O ser amado passa a ser o centro total das atenções. Quem está apaixonado muda seus hábitos, sonhos e até o gosto musical para mergulhar no universo do outro. Perde-se a cabeça. Quem está apaixonado esquece-se de si mesmo para endeusar o outro e é capaz de fazer tudo por ele. Nenhum esforço é penoso ou grande demais, desde que vá agradar ao outro.
Todo mundo já experimentou, em maior ou menor grau, este tipo de situação. Poucos, no entanto, experimentaram a ótima sensação de se apaixonar pela pessoa mais importante de sua vida, que é si mesma. A grande maioria das pessoas é capaz de mover montanhas por outros, mas não é capaz de criar um hábito diário de 15 minutos para desenvolver uma habilidade, ampliar seus conhecimentos ou investir na sua saúde.
E qual o motivo de tantas pessoas nunca investirem no bem próprio? Bem, segundo os especialistas, a resposta não é nada simples. Porém, em linhas gerais, para caber neste artigo, vamos recorrer ao doutor em psicologia e especialista em terapia cognitiva italiano Walter Riso. Ele é autor de um excelente tratado sobre este assunto, que está publicado por meio de livro sob o título “Apaixone-Se Por Si Mesmo - o Valor Imprescindível da Autoestima”.
Nesta obra, ele nos ensina que uma boa autoestima e amar-se profundamente é fundamental. Estes sentimentos, explica, aumentam nossas emoções positivas, nos permitem alcançar maior eficácia nas tarefas, melhoram nossas relações com as pessoas e nos garante independência e autonomia.
A proposta do livro é simples e complexa ao mesmo tempo: seja valente e aprenda a se amar, iniciando um romance consigo mesmo de maneira que o faça cada dia mais feliz e mais resistente aos embates da vida cotidiana.
Em seu trabalho, Riso defende a tese de que este amor próprio tem quatro pilares fundamentais. O primeiro é refletir sobre suas conquistas na vida e criar um bom conceito sobre si mesmo, sem se castigar por erros (eles devem servir de lição). É preciso, neste processo, entender que a cada momento da vida você fez o que julgou melhor com as condições e conhecimento que tinha. E desenvolver a capacidade de curtir o que você já possui.
A segunda coluna é criar uma autoimagem positiva, conforme seus próprios critérios e não conforme o que a sociedade impõe. O terceiro ensinamento dele é a gente criar uma rotina de nos recompensar por conquistas e êxitos. Dê presente a si mesmo.
Todos estes três primeiros passos te levarão à quarta e definitiva coluna: autoconfiança. Com ela você não vai mais permitir que te usem, que imponham modelos de felicidade ou de conduta.
Vencer-se também é derrotar as crenças limitantes sobre o amor próprio. É perceber que para o resto do mundo você é apenas mais um, mas para você mesmo, você é o protagonista da história. E já que vai conviver consigo até o último minuto, que você possa ser sua melhor companhia. Que possa se olhar no espelho e se amar, incondicionalmente, fazendo todas as loucuras que alguém que está louco de amor faria para garantir a felicidade do ser amado. Existem diversos caminhos a percorrer até olhar-se no espelho e se amar, profundamente, com todas as suas forças. Afinal, aquela imagem no espelho será a sua companhia pelo resto da sua existência.
Jean Oliveira é jornalista, bacharel em Turismo e funcionário público municipal