Faço parte de um grupo de jornalistas que passou pelos principais processos de evolução da informática. Começamos no “O Jornal da Região” de Andradina. O dono dele, jornalista Isael Soares Fernandes, escrevia à mão o editorial. Usava o verso das correspondências. Achava mais fácil esse mecanismo de construção do texto. E para ser funcionário cortejado, bastava entender a letra do chefe se dispor a datilografar na máquina de escrever. Daquelas que você queria dar só um espaço, mas a danada disparava até o fim do carro. Tudo mecânico.
Nessa época a matriz de impressão era feita em placas de chumbo. A evolução naquela época foi quando o Jornal da Região deixou da matriz de chumbo construída com letrinhas de um alfabeto pré-construído, para ser construído com ajuda de uma linotipo. A matriz de impressão continuava sendo o chumbo. Mas com a linotipo tudo era mais rápido. Foi quando, ainda na década de 1970 o Jornal da Região se tornou diário. As frases vinham em placas de chumbo, sendo que cada linha era uma placa.
A linotipo derretia o chumbo, jogava a lava fervente nas forminhas de ferro e condensava a placa já na posição inversa das letras para que depois da impressão fossem legíveis. Conheci vários linotipistas, mas ainda vejo pela cidade o Nelson Retros. Trabalhava na frente daquela máquina quente, barulhenta, num barracão sem ar condicionado, mas se entregando no que fosse preciso para garantir a edição no dia seguinte.
Depois da impressão a chumbo, veio a impressão em off-set. Nessa época, por volta de 1976 quando comecei a trabalhar no jornal O Estado de São Paulo, a grande imprensa crescia com a rapidez das máquinas. O “Estadão” ganhou esse apelido principalmente pelas suas edições dominicais que ultrapassavam 200 páginas aos domingos. Ouvia-se o barulho dele quando caía no quintal da casa. Hoje se estiver ventando, corre o risco do exemplar sair voando, de tão leve.
Mas o maior de todos os desafios foi a transmissão. No início a gente ditava tudo pelo telefone. Cada ligação era solicitada para a telefonista da TELESP – Telecomunicações do Estado de São Paulo e em Andradina levava-se 4 horas ou mais. Isso mesmo. Para se conseguir uma ligação para São Paulo. Geralmente eu passava a pauta na primeira ligação do dia e já solicitava a segunda ligação. Nesse período eu escrevia tudo numa máquina de escrever.
Em viagem, acabava de chegar na cidade corria ver onde tinha um “orelhão”. Eles eram os preferidos dos repórteres porque eram discretos, com boa acústica para a leitura e não despertava o interesse de curiosos. Acompanhei a evolução seguinte que foi o Telex. Inacreditável. Eu já achava um absurdo a música ser gravada numa fita cassete, agora ia trabalhar com uma máquina que gravava textos numa fitinha de papel, ou que repetia em outra máquina tudo aquilo que eu digitava num teclado de outra máquina, à 700 quilômetros de distância.
Antonio Jose do Carmo, Jornalista